quinta-feira, julho 12, 2007

4th ISICEM for Latin America - Parte 2

Outras duas aulas interessantes foram a Dr Luciano Gatinonni sobre potencial de recrutamento na SARA e do Dr Rui Moreno sobre o uso de corticosteroides no choque séptico.
Dr Gatinonni mostrou o resultado de algumas de suas pesquisas em andamento com recrutamento pulmonar e TC de tórax. Ele defende a tese de que, ao longo do tempo, nós esquecemos que um dos critérios para a definição de SARA é a de que SARA é um edema pulmonar difuso. Dessa forma, os pacientes que apresentam imagens tomográficas apenas com consolidações nas regiões posteriores dos pulmões (cerca de 20-25% do tecido pulmonar, segundo seus achados) e o restante do pulmão aerado, não são portadores de SARA, mesmo que tenham P/F<200>
Os pacientes com SARA "verdadeira" seriam aqueles cuja imagem tomográfica apresenta acometimento pulmonar difuso, e não apenas nas áreas dependentes. Esse perfil de pacientes são portadores de um pior prognóstico com maior mortalidade, apesar de responderem melhor as manobras de recrutamento.
O Dr Rui Moreno apresentou os resultados do estudo CORTICUS, que já foi aceito para publicação no NEJM. Sucintamente, o uso de corticosteróides no choque séptico, nesse estudo, não resultou em diferença de mortalidade. Houve reversão mais precoce do choque com o uso de corticóide e uma tendência a um aumento da prevalência de infecção secundária.
A grande discussão foi a comparação dos critérios de choque séptico e a mortalidade do grupo controle do estudo do Annane e do CORTICUS. A mortalidade do estudo do Annane foi muito maior que o do CORTICUS, o que levou a revisão dos critérios de inclusão. No primeiro estudo, incluía-se pacientes que permanecessem hipotensos a despeito de reposição volêmica E uso de vasopressores, ou seja, pacientes com choque refratário enquanto no CORTICUS o critério de inclusão era hipotensão a despeito de reposição volêmica OU uso de vasopressores, caracterizando, assim, um grupo de menor gravidade.
Parece, assim, que o uso de corticóides na sepse ainda não está totalmente descartado, mas vai se restringir a um subgrupo de pacientes mais graves, com choque refratário.
Cássia Righy