domingo, agosto 03, 2008

Citomegalovirose em paciente grave, previamente sem imunossupressão

Cytomegalovirus reactivation in critically ill immunocompetent patients

Limaye AP, Kirby KA, Rubenfeld GD et al, JAMA 2008; 300:413-422.

Artigo muito interessante, publicado recentemente no JAMA, sobre a importancia da reativação do CMV em pacientes críticos não imunossuprimidos.
O CMV tem importancia estabelecida no imunossuprimido: predisposição a sepse bacteriana, fúngica, maior mortalidade...
Este estudo utilizou doentes críticos não imunodeprimidos: Os pacientes tinham sorologia para CMV colhidas na admissão no CTI ( CTI geral, coronaria, queimado e de trauma ). Caso sorologia positiva, PCR para detecção do DNA do vírus era feita de modo quantitativo 3x por semana. Somente os doentes mais graves de cada unidade entravam no estudo. A incidencia cumulativa foi de 33% para reativação da doença. 95% destes pacientes positivaram o PCR nos primeiros 30 dias e 50% nos primeiros 12 dias. A incidencia de pacientes com mais de 1000 copias por ml foi de 20%. A incidencia estimada de viremia por CMV foi de 0,45 ( queimado), 0,15 ( coronaria), 0,25 ( cti clinico) e 0,38 ( trauma).
A reativação teve relação importante com tempo de internação e mortalidade e quanto mais importante a reativação em termos de viremia, pior o prognóstico.
A viremia pelo CMV, portanto, é um marcador de gravidade importante. Mas será que a profilaxia com antiviral ajudaria no prognostico dos pacientes? Será que o CMV favorece a infecções bacterianas e pneumopatias no doente grave ? Os próprios autores sugerem novo estudo (este de intervenção) para responder estas questões.

Guilherme Penna - UTI - Casa de Saúde São José, RJ