domingo, março 22, 2009

Se houver isolamento de Candida sp na ponta de cateter, é necessário iniciar antifúngico ?

Is Candida colonization of central vascular catheters in non-candidemic, non-neutropenic patients an indication for antifungals?

Pérez-Parra A et al, Intensive Care Med 2009; 35:707-712

Sempre existe aquela dúvida: isolamento de Candida sp na ponta de cateter significa que temos de iniciar tratamento antifúngico ?

Neste estudo retrospectivo, os autores estudaram 58 pacientes que tiveram isolamento de Candida sp em ponta de cateter, sem candidemia nos 7 dias antes ou depois da retirada do cateter venoso profundo. Eles separaram os pacientes de acordo com o desfecho/mortalidade. Pacientes que melhoraram (33) e que morreram (25) eram diferentes em relação à idade, índice de comorbidades, doença potencialmente fatal (critérios de McCabe) e APACHE II. Houve maior desenvolvimento de sepse posterior à retirada do cateter nos pacientes com pior desfecho.

Em relação aos achados microbiológicos, os cateteres venosos ficaram em torno de 9 dias no sítio antes de serem retirados, e Candida albicans (67%) foi mais comum. No follow-up mais prolongado (1 ano), apenas 1 paciente desenvolveu candidemia. A administração de antifúngicos ocorreu em 36% daqueles que melhoraram e 32% nos que morreram (p valor não-significativo).

Em análise multivariada, o uso de antifúngicos não influenciou o prognóstico (odds 0,82, IC 95% 0,27-2,47).

Concluindo, não parece haver necessidade de iniciar antifúngicos nos pacientes com isolamento de Candida sp no cateter e sem candidemia.

André