quarta-feira, maio 19, 2010

SEPSE NOS PAISES EM DESENVOLVIMENTO

SURVIVING SEPSIS IN LOW-INCOME AND MIDDLE INCOME COUNTRIES: NEW DIRECTIONS FOR CARE AND RESEARCH.

LANCET INFECT DIS 2009;9:577-82.

Esse artigo de opinião publicado ano passado no Lancet e comentado por Bozza e Salluh em maio deste ano, na mesma revista faz uma análise do quadro de sepse nos países em desenvolvimento. Apesar de poucos dados publicados, as altas incidências de infecções por HIV, parasitas e bactérias além das co-morbidades pré-existentes contribuem substancialmente para a mortalidade nessas regiões. Em um estudo prospectivo, realizado na Etiópia, a principal causa de morte em pacientes HIV foi sepse e choque séptico. Em muitos desses países o tratamento baseado em protocolos e em dispositivos invasivos com alta tecnologia não é amplamente utilizado. Isto pode explicar a permanecia das taxas de mortalidade relacionada a sepse em Uganda durante 10 anos. Entretanto, o treinamento para o reconhecimento da sepse e a importância para o antibiótico precoce e apropriado deve ser instituído. Simples e de baixo custo os testes de laboratório devem ser padronizados para permitir um diagnostico acurado, prognóstico e monitorização do tratamento.

Devido aos baixos investimentos no atendimento pré-hospitalar, o atraso no reconhecimento dos sintomas é considerado uma barreira ao tratamento deste paciente. Os profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais de má perfusão periférica (diminuição no débito urinário, taquicardia, diminuição no preenchimento capilar). A grande desproporção nas taxas de mortalidade entre o Brasil e os países europeus pode ser explicada pela correção da hipotensão tardia associada a um balanço de fluídos positivos.

A escolha dos antibióticos é mais complicado nos países em desenvolvimento que nos desenvolvidos, uma vez que o espectro das doenças infecciosas é muito maior, além do que parasitas, vírus, fungos e micobacterium devem ser considerados.

A sepse de origem nosocomial é a que mais se associa a morbidade e mortalidade. Assim, intervenções simples com baixo custo tem sido propostas com o intuito de diminuir sua freqüência.

Marcelo Grandi