quarta-feira, agosto 04, 2010

Incidência de Sepse em Pacientes Cirúrgicos Eletivos

Vogel TR, Dombrovskiy VY, Carson JL, Graham AM, Lowry SF. "Postoperative Sepsis in the United States". ANNALS OF SUGERY 2010, Jun 21 (Epub ahead of print).

Neste estudo americano de coorte realizado entre os anos de 2002 e 2006 foi avaliado a incidência de sepse nos pacientes submetidos a cirurgia eletiva. Em 6.512.921 cirurgias eletivas realizadas, foram incluídas 78.669 (1.21%) casos que evoluíram com sepse no pós-operatório. Os critérios de inclusão eram maiores de 18 anos e submetidos a cirurgia eletiva como principal indicação de internação. Tal procedimento deveria ser realizado no máximo no segundo dia de internação, com hospitalização não maior que quatro dias. O diagnóstico de sepse, infecção ou qualquer estado de imunossupressão (com exceção de câncer) deveria estar ausente na admissão.

Os resultados demonstraram maior predomínio na população mais velha com uma incidência duas vezes maior em maiores de 80 anos quando comparado com a população menor de 50 anos. As taxas também foram maiores em negros, no sexo feminino e nos pacientes com baixa renda. As características hospitalares mais associadas com esta complicação no pós operatório foram hospitais de grande porte quando comparada aos de pequeno porte, localizados em zonas urbanas quando comparadas com zonas rurais, e os hospitais não universitários, quando comparados com instituições de ensino.

O tempo de alta hospitalar e o custo hospitalar total foram respectivamente 3 e 3,3 vezes maior nos pacientes que evoluíram com sepse em relação aos que não tiveram esta complicação. Na Tabela anexa, demonstra-se o custo e o tempo médio de alta hospitalar para cada grupo de cirurgia nos dois braços do estudo.

As cirurgias esofagianas, pancreáticas e gástricas representaram os procedimentos com maior risco de desenvolverem complicações infecciosas. Porém, os pacientes que apresentaram maior risco de morte foram aqueles submetidos a procedimentos torácicos, em supra-renal e fígado. Assim, esta análise revelou que nem sempre o procedimento com maior risco de desenvolver sepse apresenta maior risco de morte.

As complicações nos 30 dias de pós operatório influenciaram mais a mortalidade hospitalar de pacientes com cirurgias grandes, do que o risco pré operatório e fatores do período intra-operatório.
Marcelo Grandi