sexta-feira, julho 01, 2011

Uso de ultrassonografia torácica: 3. pneumotórax

A identificação de pneumotórax pela US é de aplicação simples e rápida. Esta é uma aplicação muito útil nas UTIs, porque a presença de pneumotórax, principalmente em pacientes em ventilação mecânica, passa despercebida frequentemente e pode estar associada a risco de morte.
Nesta patologia, há ausência de deslizamento das pleuras e exclusividade de linhas A, sem linhas B, indicando o padrão estático de linhas A no modo B. No modo M há presença única de linhas horizontais, sem o padrão granular que indica a presença de ar no tecido pulmonar (sinal da “estratosfera”).
Um sinal específico de pneumotórax na US é o ponto pulmonar (“lung point”), onde há transição do padrão ultrassonográfico em um espaço intercostal com e sem deslizamento dos folhetos pleurais no modo B. Há também alternância do padrão “água do mar com areia da praia” com somente linhas A (“água do mar”) de acordo com os movimentos respiratórios no modo M. Este sinal corresponde à linha pleural vista no pneumotórax parcial na radiografia de tórax (Figura).


A sensibilidade foi 95% e a especificidade 91% na primeira grande série de 43 pacientes com pneumotórax comprovado por radiografia ou TC de tórax, usando como 68 pacientes que fizeram TC sem pneumotórax como grupo controle (Lichtenstein, 1995). O valor preditivo negativo do exame ultrassonográfico para diagnosticar pneumotórax foi 100%.
Outro sinal relevante para afastar a presença de pneumotórax é o sinal da cauda de cometa (“comet tail”): este sinal, inicialmente descrito como sinal de síndrome intersticial (pneumonia intersticial, broncopneumonia ou edema pulmonar), se caracteriza como linha B que surge na linha pleural visceral e se estende até as regiões mais profundas do tórax.
O modo M complementa o exame com o padrão exclusivo de linhas horizontais paralelas (padrão “água do mar”).

André M Japiassú