quinta-feira, dezembro 08, 2011

EVOLUÇÃO DAS DISFUNÇÕES ORGÂNICAS EM PACIENTES COM CHOQUE SÉPTICO TRATADOS COM CORTICÓIDES: RESULTADOS DO ESTUDO CORTICUS

Moreno R: Intensive Care Med 2011, 37:1765-1772

Os autores do estudo Corticus (estudo propsectivo, randomizado e duplo-cego para avaliar a mortalidade de 28 dias em pacientes com choque séptico tratados com hidrocortisona ou placebo) avaliaram num segundo momento a evolução das disfunções de órgãos nos pacientes que receberam corticóide e placebo. A disfunção de órgãos foi avaliada através da escala SOFA que considera as disfunções cerebral, cardiovascular, respiratória, renal, hematológica e hepática. Os autores verificaram que no grupo tratado com corticóides, houve uma redução significativa do escore SOFA (p=0,0027) devido principalmente a uma melhora nas disfunções cardiovascular e hepática. Não houve melhora das demais disfunções. A redução do escore SOFA não foi acompanhada por redução da mortalidade. Uma das explicações é que a hidrocortisona melhora a resposta às catecolaminas atenuando a disfunção cardiovascular. A melhora cardiovascular provavelmente é a responsável pela melhora hepática. Curiosamente, entre os pacientes que inicialmente apresentavam insuficiência renal, aqueles que receberam corticóides tiveram uma recuperação mais rápida da função dos rins. A pergunta a ser respondida é se a hidrocortisona deve ser utilizada no choque séptico. O estudo Corticus mostrou que não. Ele não evidenciou redução na mortalidade além de mostrar aumento de infecções nos pacientes que receberam corticóides. Este estudo não reponde a questão. Ele mostra que apesar da melhora das disfunções, não houve benefício em relação à mortalidade. Provavelmente algum subgrupo de pacientes tenha benefício com o uso de esteróides. A dúvida continua.




Flávio E. Nácul