sábado, agosto 06, 2016

Novo guideline para admissão na UTI - SCCM 2016

"ICU admission, discharge, and triage guidelines: a framework to enhance clinical operations, development of institutional policies, and further research". Crit Care Med Agosto, 2016.

O guideline, que saiu originalmente em 1999, é diretriz para rotinas de internação e alta da UTI. Desta vez, as recomendações foram orientadas pelo método GRADE para elencar e pesar evidências de cada assunto.
Alguns destaques são:

- Os níveis de prioridade de admissão na UTI mudaram: iam de 1 a 4, sendo que 1 era maior prioridade, e 4 sem prioridade (dividido em paciente muito bem - 4A, e paciente moribundo - 4B). Agora passa a ser 1 a 5: 1 e 2 são de maior prioridade, sendo que 2 para pacientes com alguma limitação terapêutica; 3 e 4 para monitoração, também 4 para pacientes com limites de terapia; e 5 para pacientes moribundos ou terminais. UTI é recomendada para níveis 1 e 2, enquanto semi-intensiva ou unidades de cuidados intermediários para níveis 3 e 4. Veja figura abaixo:



- "Overtriage", isto é, um pouco mais de indicação de internação na UTI é preferível a cercear todos os pacientes com indicação questionável. Ou seja, é bom deixar o filtro um pouco mais "frouxo". Grau 2D de recomendação.

- UTIs especializadas são melhores que UTIs gerais em algumas situações; as recomendações se resumem a neuro-UTI: o prognóstico de pacientes com AVE hemorrágico e trauma craniano grave pode ser melhor nestas UTIs. Grau 2C.

- Não internar diagósticos fora da especialidade da UTI especializada. Ou seja, por exemplo, pneumonia grave em UTI cardiológica ou pós-operatório de cardíaca em neuro-UTI ("não misturar alhos com bugalhos"). Grau 2C.

- Não demorar mais de 6 horas para internar um paciente grave (que precisa de intervenção aguda) a partir da emergência na UTI. Grau 2D.

- Evitar dar alta da UTI à noite (após 7 pm). Vários estudos observacionais indicam maior mortalidade. Grau 2C.

- Pacientes com alto risco de reinternação ou morte (várias comorbidades, continuidade de suporte para disfunção orgânica ou instabilidade fisiológica) devem ir para unidade semi-intensiva tipo "step-down". Grau 2C.

André Japiassú