
Este blog tem como objetivo trazer informações e visões críticas sobre os estudos científicos recentes em medicina hospitalar e terapia intensiva. Também no Instagram: artigoscomentadosemmedicina
23 dezembro 2008
21 dezembro 2008
SERIA A DISFUNÇÃO DE ÓRGÃOS UMA ADAPTAÇÃO Á SEPSE?
Os autores fazem uma reflexão sobre a disfunção de órgãos na sepse e levantam a hipótese de que ela pode ser uma mera adaptação à doença com o objetivo de criar um equilíbrio entre geração e gasto de energia. Se isto for verdade, a disfunção orgânica poderia ser interpretada como um mecanismo de proteção e representar um estado de hibernação que pode ser revertido assim que a infecção e a inflamação sejam controlados.
Flávio E. Nàcul
NORADRENALINA MELHORA FUNÇÃO MITOCONDRIAL NA SEPSE
Trinta porcos desenvolveram choque endotoxêmico após tratamento com LPS e receberam noradrenalina ou solução salina. Pressão arterial, índice cardíaco e DO2 aumentaram mais no grupo que recebeu noradrenalina. Não houve diferença em relação à perfusão hepática, consumo esplâncnico de oxigênio e extração hepática de lactato. No entanto, a função mitocondrial hepática foi melhor no grupo tratado com noradrenalina sugerindo um efeito direto da noradrenalina no hepatócito.
Flávio E. Nácul
QUEM FOI QUEM? THOMAS BAYES
20 dezembro 2008
Por que os Clínicos não Seguem os Resultados dos Estudos Clínicos Fundamentais sobre Sepse? Uma Análise Bayesiana.
18 dezembro 2008
SÍNDROME DE BURNOUT EM PROFISSIONAIS DE TERAPIA INTENSIVA: ESSE PROBLEMA É SEU?
- Só de pensar em trabalhar,você já começa a passar mal;
- Exausto o tempo todo, você está sempre a ponto de explodir ou de chorar;
- Conviver com certas pessoas do trabalho lhe incomoda demais;
A Terapia Intensiva demanda além do contato com a vida ações diuturnas, rápidas e precisas, exigindo o máximo de eficiência de toda a equipe. Segundo Martino (2004) estudos comprovaram, que para os enfermeiros de Unidades de Terapia Intensiva, o local é muito tenso, e que isso poderia interferir no seu estado emocional, levando ao desgaste geral do organismo e, conseqüentemente, provocando estresse. Com isso, algumas pesquisas relacionando a Síndrome de Bournout com o estresse vivênciado na terapia intensiva vem despertando interesse em diversos pesquisadores. Em um estudo transversal realizado na Austrália, em UTIs neonatal, participaram 192 enfermeiros e 34 médicos, sendo demonstrado que 27% dos médicos e 32% dos enfermeiros apresentavam sintomas psicológicos semelhantes ao Bournout. Sendo que os enfermeiros apresentavam sintomas psicológicos devido ao excesso de pacientes e falta de espaço físico nas unidades. Em outro estudo Americano, Heuer et al., mostrou que 59 enfermeiros de UTI viviam em um ambiente de trabalho caótico, com número elevado de emergências e inadequação profissional. Com isso, os profissionais que trabalham em unidade de terapia intensiva, seja pela especificidade do seu trabalho ou pelo ambiente, estão expostos ao risco do estresse ocupacional e, conseqüentemente ao Burnout. A cisão entre afeto e trabalho, que nasce a partir das dimensões demarcadas pelo capital, leva-nos a considerar a Síndrome de Burnout, como uma descrição bastante familiar e presente em nosso cotidiano. A existência dessa nova enfermidade para os trabalhadores intensivistas certamente nos leva a alcançar novos horizontes e perspectivas para as possibilidades de entendimento e transformação no processo de trabalho, numa tentativa de resgatar as dimensões afetivas contidas no cotidiano de quem cuida.
Presidente do Departamento de Enfermagem AMIB
Chefe do Serviço de Terapia Intensiva HSPE
17 dezembro 2008
EVOLUÇÃO A LONGO PRAZO DOS PACIENTES COM SARA
Presse Med. 2008 ;37(12):1803-8
Os estudos que avaliam as sequelas a longo prazo dos pacientes com SARA mostram redução da qualidade de vida devido a alterações congnitivas, estresse pós-traumático e anormalidades neuromusculares. As sequalas respiratórias são mínimas.
Flávio Nácul
14 dezembro 2008
Mortalidade em pacientes com pneumonia grave - clique no título para ir ao artigo!
Mortality in ICU patients with bacterial community-acquired pneumonia: when antibiotics are not enough.
Critical Care Department, Pere Virgili Health Institut and CIBER Enfermedades Respiratorias (CIBERES), Joan XXIII University Hospital, Mallafré Guasch 4, 43007, Tarragona, Spain.
BACKGROUND: It remains uncertain why immunocompetent patients with bacterial community-acquired pneumonia (CAP) die, in spite of adequate antibiotics. METHODS: This is a secondary analysis of the CAPUCI database which was a prospective observational multicentre study. Two hundred and twelve immunocompetent patients admitted to 33 Spanish ICUs for CAP were analyzed. Comparisons were made for lifestyle risk factors, comorbidities and severity of illness. ICU mortality was the principal outcome variable. RESULTS: Bacteremic CAP (43.3 vs. 21.1%) and empyema (11.5 vs. 2.2%) were more frequent (P < n =" 122)" n =" 90),">
13 dezembro 2008
O TGI NA SIRS E SEPSE
Ao contrário do que se imaginava no passado, a lesão do TGI que ocorre na endotoxemia não é secundária à hipoperfusão tecidual mas sim a um efeito direto do LPS. A endotoxemia induzida pelo LPS inibe a secreção acida e produz dilatação do estômago além de produzir lesões difusas da mucosa intestinal. Os mecanismos incluem a down-regulation da K/H-ATPase, a bomba de prótons responsável pela secreção de ácido pelo estômago, redução da expressão da cNOS, que apresenta papel importante na manutenção da integridade da mucosa do TGI, e aumento da expressão da COX-2, conhecido agente pró-inflamatório.
Flávio E. Nácul
11 dezembro 2008
CONTRA O CONSENSO - FUROSEMIDA PARA HIPERCALCEMIA
06 dezembro 2008
CORTICÓIDE PROFILÁTICO PARA EXTUBAÇÃO - REDUÇÃO DE ESTRIDOR E REINTUBAÇÃO
Fan T, Wang G, Mao B, et al. Prophylactic administration of parenteral steroids for preventing airway complications after extubation in adults: meta-analysis of randomized placebo controlled trials. Brit Med J 2008; 337:a1841.
O objetivo primário foi a incidência de estridor; secundário foi a incidência de insuficiência respiratória dentro de 24 horas após a extubação. Apenas 6 estudos foram incluídos (dentre quase 1500 citações nas diversas bases de dados). Quase todos os estudos apresentaram boa avaliação da qualidade segundo critérios Jadad (alocação, critérios de inclusão e exclusão, análise estatística e de heterogeneidade, etc). A metade deles apresentou resultados positivos (justamente os 3 mais recentes).
A redução de estridor pós-extubação apresentou odds ratio 0,38 (IC 0,17-0,85), e de reintubação 0,29 (IC 0,15-0,58). O NNT (número necessário para tratar e evitar 1 evento) para estridor foi 10 e para reintubação foi 50. Quando se analisou as doses de corticóides (revertidas para metilprednisolona - a mais usada), doses de 160 mg por dia foram melhores que doses menores que 100 mg. E a frequência de doses também teve resultados diferentes: doses repetidas reduziram estridor (NNT 5) e reintubação (NNT 25). Doses únicas apresentaram resultados sem significância estatística em relação a placebo. O subgrupo de pacientes de maior risco para estas complicações (neurológicos, pos-op de cirurgia cardíaca, insuficiência respiratória-lesão pulmonar aguda) se beneficiou da estratégia (odds 0,26 e 0,31 para estridor e reintubação, respectivamente).
As limitações da análise são: (a) heterogeneidade dos trabalhos, principalmente em relação à definição de estridor (gráfico de funil com distribuição assimétrica; (b) a administração de corticóide deve se iniciar 12 horas antes da extubação; (c) não foi possível analisar os estudos em relação à intenção de tratamento ("intention to treat"), o que também reduz a confiabilidade dos dados extraídos dos 6 estudos.
Em conclusão, parece haver benefício na estratégia de administração de corticóides pré-extubação, principalmente em pacientes de maior risco, muito por conta dos novos estudos clínicos sobre o assunto que foram publicados entre 2006 e 2007.
André
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