22 março 2012

Avaliação de dexmedetomidina vs midazolam e vs propofol: é a medicação ou a estratégia que importa ?

"Dexmedetomidine vs Midazolam or Propofol for Sedation During Prolonged Mechanical Ventilation". Jakob SM, Ruokonen E, Grounds M, Sarapohja T, Garratt C, Pocock SJ, et al. JAMA 2012; 307:1151-60.

Saiu mais 1 estudo de comparação entre dexmedetomidina (DEX) e outros sedativos: midazolam (MDZ) e propofol (PRO). Neste estudo (na verdade, 2 em 1) randomizado e controlado, inclui-se pacientes que poderiam usar sedação leve, em ventilação mecânica (VM). O estudo foi conduzido em vários centros em 9 países europeus. Pacientes com menos de 24 horas de VM e insultos neurológicos graves foram excluídos. Quando tinham dor, os pacientes receberam fentanil em bolus. O objetivo era manter sedação no nível RASS 0 a -3. Muitos pacientes receberam estratégia de interrupção de sedativos - em torno de 90% dos pacientes (Kress et al, 2000).

Os resultados gerais mostraram pouca vantagem para DEX em relação aos outros dois. Como em outros estudos, o processo de desmame (tempo até extubação) foi menor com DEX em relação ao MDZ e PRO (cerca de 30% menor). O tempo total de VM não foi diferente nos dois estudos. DEX foi suspensa por falha no objetivo da sedação foi frequente com DEX (9-14% dos pacientes).

Pacientes com DEX tinham maior capacidade de acordar, atender comandos e se comunicar. Porém, hipotensão e bradicardia foram comuns no grupo DEX (14-20%).

Outras observações secundárias foram: menor incidência de polineuromiopatia no grupo DEX; não houve diferença de eventos neurocognitivos (agitação, ansiedade e delirium) entre DEX e MDZ no follow-up até 45 dias, mas foi menor DEX vs PRO; nos dois estudos não teve diferença na necessidade de reinício de sedação por conta de agitação ou ansiedade ou delirium.

Ainda coloco algumas observações. Primeiramente, de mais de 8 mil pacientes em VM, apenas 5% eram recrutáveis para o estudo (exclusão de 95% dos pacientes elegíveis). Isto limita muito a escolha destas estratégias. Este estudo reforça a ideia de que a estratégia de manuseio de sedativos, em vez da escolha de uma ou outra droga, é mais importante para os desfechos tempo e mortalidade. Ou seja, a maneira da equipe lidar com sedação/analgesia/delirium muda muito mais o tempo de VM ou de hospitalização, e mesmo de mortalidade, que usar uma determinada medicação.

Mais uma demonstração que mudar o comportamento humano é difícil, mas impactante se a estratégia correta for adotada.

André Japiassú

19 março 2012

100 MIL VISUALIZAÇÕES !!!!!!

No dia de ontem o nosso blog completou 100 mil visualizações!!!!

Um forte abraço a todos que participam direta ou indiretamente deste blog.

Flávio E. Nácul

17 março 2012

QUASE 100.000 VISUALIZAÇÕES

O nosso blog atingiu 99.875 visualizações. Em breve chegaremos a impressionante marca das 100.000 visitas.


Flávio E. Nácul

VISITE O BLOG: TERAPIA INTENSIVA CIRÚRGICA

Vistie o blog: http://www.terapiantensivacirurgica.blogspot.com/ dos colegas do CTI do Hospital Samaritano - Rio de Janeiro


Flávio E. Nácul

GRELINA PODE BENEFICIAR PACIENTES COM SEPSE

Ref: Das UD: World Journal of Diabetes 2011; 21(1) 1-7

A grelina ou hormônio da fome é produzida em vários órgãos incluindo o estômago e pâncreas. Nos períodos de jejum, seus níveis sobem e surge a vontade de comer. Após as refeições, seus níveis baixam e aparece a saciedade. Pesquisadores relataram que a grelina tem atividade antiinflamatória e melhora a barreira intestinal reduzindo a translocação bacteriana. Seria a grelina boa para pacientes com sepse?

Flávio E. Nácul

10 março 2012

MELHORES HOSPITAIS EUA 2012

1) Johns Hopkins (Baltimore)

2) Massachusetts General Hospital (Boston)

3) Mayo Clinic (Rochester)

4) Cleveland Clinic (Cleveland)

5) Ronald Reagan UCLA Medical Center (Los Angeles)

6) NY Presbyterian University Hospital of Columbia and Cornell (Nova York)

7) UCSF Medical Center (Sao Francisco)

8) Brigham and Womens`s Hospital (Boston)

9) Duke University Medical Center (Durham)

10) Hospital of the University of Pennsylvania (Philadelphia)


Ref: US News - Best Hospitals

Flávio E. Nácul

05 março 2012

Antibióticos esquecidos - vamos retornar com os fósseis ?

Forgotten Antibiotics: An Inventory in Europe, the United States, Canada, and Australia. Pulcini et al, Clin Infectious Dis 2012;54(2):268-74.

A resistência antimicrobiana é um problema comum a muitos hospitais no Mundo. De outro lado, a indústria conseguiu criar série de antimicrobianos ao longo de décadas.
Estudo recente demonstra que antibióticos importantes estão desaparecendo em vários países. Os autores fizeram pesquisa dos antibióticos existentes em países europeus, Estados Unidos, Canadá e Austrália (38 países), e verificaram que não há venda de alguns (ou muitos) deles em parte considerável (Figura).


Alguns antibióticos têm valor único para certos patógenos, como a penicilina G para Treponema pallidum e cloranfenicol para infecções graves por Rickettsia sp (cerca de 40% dos países não tem cloranfenicol para venda). Por outro lado, antibióticos são mais eficazes no tratamento de certas infecções que outros antibióticos. Por exemplo, infecções graves por S aureus sensíveis a meticilina têm respostas mais rápidas quando tratadas com oxacilina do que com glicopeptídeos. E cerca de 60% dos países não possuem oxacilina...

A Organização Mundial de Saúde (OMS) precisa tomar providências para manter a fabricação de antibióticos que não têm mais apelo comercial. A OMS precisa primar pela continuidade do fornecimento de antibióticos mais antigos para manter a boa prática do tratamento de infecções.

André Japiassú

Transfusão de hemácias na UTI: após 20 anos

  Título: Red Blood Cell Transfusion in the Intensive Care Unit. Autores: Raasveld SJ, Bruin S, Reuland MC, et al for the InPUT Study Group....