domingo, junho 17, 2007

Encefalopatia associada a sepse

Brain lesions in septic shock: a magnetic resonance imaging study



Sharshar T, Carlier R, Bernard F, et al.



Intensive Care Med. 2007; 5: 798-806



Abstract
Background Understanding of sepsis-induced brain dysfunction remains poor, and relies mainly on data from animals or post-mortem studies in patients. The current study provided findings from magnetic resonance imaging of the brain in septic shock.
Methods Nine patients with septic shock and brain dysfunction [7 women, median age 63 years (interquartile range 61–79 years), SAPS II: 48 (44–56), SOFA: 8 (6–10)] underwent brain magnetic resonance imaging including gradient echo T1-weighted, fluid-attenuated inversion recovery (FLAIR), T2-weighted and diffusion isotropic images, and mapping of apparent diffusion coefficient.
Results Brain imaging was normal in two patients, showed multiple ischaemic strokes in two patients, and in the remaining patients showed white matter lesions at the level of the centrum semiovale, predominating around Virchow–Robin spaces, ranging from small multiple areas to diffuse lesions, and characterised by hyperintensity on FLAIR images. The main lesions were also characterised by reduced signal on diffusion isotropic images and increased apparent diffusion coefficient. The lesions of the white matter worsened with increasing duration of shock and were correlated with Glasgow Outcome Score.
Conclusion This preliminary study showed that sepsis-induced brain lesions can be documented by magnetic resonance imaging. These lesions predominated in the white matter, suggesting increasedblood–brain barrier permeability, and were associated with poor outcome

A encefalopatia associada a sepse é um quadro agudo, potencialmente reversível, cuja prevalência varia entre 9-71% dos pacientes sépticos dependendo da definição utilizada. O cérebro é um dos primeiros órgãos a sofrer disfunção nos pacientes sépticos, principalmente nos idosos e, embora a encefalopatia associada a sepse (EAS) seja reversível, ela parece ser um marcador de mau prognóstico e pode levar a disfunção cognitiva a longo prazo.

A fisiopatologia da EAS ainda está longe de ser elucidada mas alguns fatores já são conhecidos. Eles incluem: 1) Interação SNC-sistema imune através de a) órgãos circunventriculares e, a partir daí, ativação inflamatória da microglia e b) alça anti-inflamatória mediada pelo nervo vago; 2) Quebra da barreira hematoencefálica; 3) Disfunção mitocondrial e Estresse Oxidativo, sendo esse mecanismo particularmente importante no SNC tendo em vista a dependência do cérebro das reservas de O2; 4) Alterações do fluxo sanguíneo cerebral, levando a isquemia e 5) alterações de neurotransmissores, com elevação de aminoácidos aromáticos.

Este estudo, apesar de pequeno, é interessante porque demonstra a presença de grandes áreas de quebra de barreira hematoencefálica nos pacientes com choque séptico, fato este que coincide com os achados experimentais. Ainda é desconhecida a relação destes achados com o prognóstico e como o tratamento influencia na disfunção cognitiva a curto e longo prazo. Ainda assim, apenas recentemente as pesquisas tem se voltado para os estudos clínicos dos pacientes com EAS e este estudo, certamente, é mais um progresso na tentativa de esclarecer essa síndrome tão prevalente e tão pouco conhecida.

Cássia Righy