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06 agosto 2009

VEJAM O BLOG!

Caros,

Acessem o blog http://comissaocientificasotierj.blogspot.com/ para terem notícias sobre o andamento do congresso da SOTIERJ, que será dos dias 27-29/08.

Nos vemos lá!

Cássia Righy

15 maio 2009

Como elaborar resumos de Temas Livres para Congressos

Com a proximidade das datas limites para envio de Temas Livres de alguns Congressos (21 de junho - SOTIERJ Rio de Janeiro 2009 - e 30 de julho - CBMI São Paulo 2009), aqui vão algumas dicas para elaboração de Temas Livres de Trabalhos Científicos, para apresentação em Congressos:

1. tenha certeza que vai ao Congresso; a ausência de apresentadores de um trabalho na chamada durante o Congresso é constrangedor e pode marcar o grupo para Congressos futuros (exemplo: Congresso Europeu de Medicina Intensiva)

2. agregar, sem sobrecarregar demais, todo o tipo de informação nova, mas relevante do trabalho

3. proporcionar ao avaliador informações suficientes que lhes permitam julgar se é  conveniente aprovar o Tema Livre

4. preste atenção ao limite de palavras ou caracteres imposto para inscrição do Tema; deve-se evitar o excesso de artigos, advérbios e adjetivos

5. incluir de forma sucinta os resultados, indo direto ao ponto em relação à ideia que se quer passar ao leitor

6. escreva o resumo na 3a pessoa ou sujeito indeterminado; evite o uso da 1a pessoas do singular ou plural

7. cuidado com abreviaturas ou símbolos, exceto aqueles com uso generalizado; se usar, escreva por extenso na primeira aparição no resumo

8. a introdução deve ir direto à dúvida ou contexto do Tema Livre na literatura existente

9. métodos: não é necessário se alongar em relação a todos os dados analisados ou análise estatística detalhada; lembre-se de citar ONDE (foi realizado o trabalho), QUANDO (período de desenvolvimento do trabalho), QUEM (pacientes - inclusão e exclusão) e COMO (o que foi observado ou usado nos sujeitos do trabalho)

10. resultados: é o principal para convencer da qualidade do trabalho; descreva rapidamente as características da população e em seguida os resultados da análise realizada, sem discutir sobre eles (não há espaço para comparações com outros trabalhos semelhantes da literatura)

11. figuras (1 ou 2 no máximo) são benvindas se explicam os resultados melhor que frases (bom para comparações de vários grupos avaliados e/ou trabalhos experimentais); neste caso, evite repetir estes resultados da figura no corpo do resumo

12. a conclusão deve ter 1 frase apenas, para que o leitor veja imediatamente a ideia a ser passada; preste atenção para que a conlcusão responda o(s) objetivo(s) do trabalho

13. evitar referências e tabelas extensas


André

29 setembro 2008

Congresso Europeu - Lisboa 2008

Caros Colegas

Alguns de nós estiveram no Congresso Europeu de Medicina Intensiva, realizado em Lisboa, na semana passada. Farei algumas observações sobre o que assisti. Não vi realmente muita coisa nova, já que muitas evidências que pareciam eficientes até alguns anos atrás, não vingaram em estudos clínicos recentes.

Comento logo o que foi mais polêmico: a discussão sobre recrutamento alveolar entre Marcelo Amato e Luciano Gattinoni. Foram organizadas reuniões sobre controvérsias, tipo pró e contra. Até que os palestrantes não vinham discordando tanto, até porque, como já disse, não existem muitas verdades absolutas ou paixões arrebatadoras no campo da Medicina Intensiva. Mas no último dia, a sala que abrigou as palestras sobre controvérsias ficou pequena para tanta gente querendo ver a discussão sobre recrutamento alveolar.

Realmente o tema ainda é controverso, principalmente porque estudos menores são positivos para o recrutamento e o grande estudo ARDSNetwork foi negativo (está comentado no último volume da série Artigos Comentados). Mas há alguns estudiosos que defendem que recrutamento deve ser realizado com pressões maiores que estudos do ARDSNet (que ficam em torno de 40 cmH20).

Amato fez a primeira abordagem e foi bem claro: resultados positivos em relação a recrutamento e pressões de vias aéreas mais elevadas demonstraram melhora na sobrevida além do controle da pressão de platô e controle do volume corrente. Uma "driving pressure" até 16 cmH20 (Pplatô - PEEP) pode teoricamente melhorar a mortalidade além da ventilação protetora tradicional de trabalhos passados. E recrutamento deve ser realizado com escalonamento de pressão, acima de 40 cmH20, para apresentar benefício naqueles que não mostram resposta no CPAP de 40 cmH20.

Gattinoni veio depois e sua abordagem fugiu da tradicional polêmica amigável para desferir ataque pessoal ao Amato. Chegou a ser descortês em alguns momentos, dizendo que apenas no Brasil pacientes apresentam colapso alveolar maior que 90% dos pulmões; e que no Brasil faz-se 2 litros de colóides antes das manobras de recrutamento, e por isso PEEP elevada tem mais benefício que no resto do mundo. Mas seus argumentos não são de todo exagerados e ele tomou como base evidências negativas, como o próprio estudo do ARDSNet e aspectos como hiperinsuflação com pressões elevadas e a trabalheira que recrutar periodicamente realmente dá.

No final das 2 palestras, quando todos esperavam alguma discussão e perguntas da platéia, Laurent Papazien (França) encerrou subitamente a sessão (e ainda faltava 10 minutos para a próxima mesa redonda...). Bem, ficou aquele mal-estar no ar e eu realmente achei que o Gattinoni resolveu sair da mesmice e saiu pro ataque, meio como ator, para atiçar e dar aquele rebuliço na platéia. Mas alguns brasileiros não gostaram mesmo.

Todos esperamos por estudos comprobatórios, principalmente pelo esforço da equipe de São Paulo, que está realizando novo estudo sobre o tema.

André

13 maio 2008

tópicos sobre o XIII CBMI - 1

Caros colegas
Passo a relatar algumas observações sobre o último congresso de Medicina Intensiva ocorrido em Salvador na última semana.
Um dos pontos altos do encontro foi a palestra sobre paciente terminal e conflitos de decisões sobre retirada e/ou recusa de tratamento em pacientes fora de possibilidades terapêuticas, com Mitchell Levy (EEUU).
Primeiramente, muitos dos conflitos que surgem por causa da falta de comunicação entre profissionais e pacientes/familiares. Quanto maior a proximidade da equipe do CTI com a família, menor a quantidade de conflitos. Levy demonstrou inúmeros estudos sobre o tema, e um deles chamou a atenção: o médico peca por falar demais. Em entrevistas com a sfamílias gravadas por um observador, o médico fala mais de 70% do tempo. O paciente e familiares têm apenas 20-30% do tempo para expressar seus pensamentos e dúvidas. O americano falou que em nenhum relacionamento de casais, por exemplo, isto pode ser igual; daria confusão e separação na certa.
Outro fato: conversas entre familiares e equipe médica geralmente excluem outros profissionais, como enfermeiros e psicólogos. Se não há participação destes, uma informação pode ser tomada e ao chegar no interior do box do paciente no CTI, alguém pode falar justamente o contrário, o que certamente causa ansiedade na família. Temos que acertar os ponteiros em relação à equipe multiprofissional e pacientes e famílias. Levy disse que nunca deixa de chamar a enfermagem para conversas mais importantes com pacientes e familiares.
Finalmente, ele deu dicas para as conversas com pacientes e familiares, principalmente para decisões de fim-de-vida. Aí vão algumas:
- participação de vários profissionais da equipe do CTI;
- bom conhecimento da história e complicações do caso;
- ambiente siliencioso e reservado;
- suporte psicológico para pacientes, familiares e equipe do CTI (a desordem de estresse pós-traumático ocorre em todos estes grupos, e é subestimado principalmente na equipe de saúde);
- reservar tempo para a conversa: deixe paciente/família falarem com tranquilidade sobre percepções, preocupações e dúvidas;
- explicar em termos laicos sobre o caso e perguntar mais de 1 vez se existem dúvidas; é frequente que as pessoas atordoadas ouçam mas não compreendam o que foi dito.
A pergunta do Juan Verdeal (Rio de Janeiro) foi sobre a falência da relação entre equipe e família: o que fazer quando a crise é intensa e você sente que não existe mais nenhuma cumplicidade. Levy reiterou que 90% dos problemas são contornados com atenção e diálogo. No entanto, se ele sente esta falência total, procura resolver o paciente (gastrostomia, traqueostomia, desmame ventilatório, etc) e transfere o paciente para unidades de menor complexidade e talvez outro CTI.
Eu perguntei sobre um time de detecção precoce de conflitos: ele disse que psicólogos conseguem procurar ativamente estes problemas e podem participá-los rapidamente à equipe do CTI e equacioná-los. Mais uma vez, a prevenção parece ser bem mais eficaz.

André Japiassú

Transfusão de hemácias na UTI: após 20 anos

  Título: Red Blood Cell Transfusion in the Intensive Care Unit. Autores: Raasveld SJ, Bruin S, Reuland MC, et al for the InPUT Study Group....