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26 junho 2016
Série "Choosing Wisely" 1: Controle de Infecção Hospitalar
07 julho 2012
Azitromicina não é tão inofensiva assim...
Os antibióticos macrolídeos são prescritos contra infecções respiratórias no mundo inteiro, muito por causa da excelente posologia e o tempo mais curto de tratamento. Uma de suas vantagens seria o menor potencial de malefício cardíaco que outros macrolídeos possuem (prolongando o intervalo QT). Ainda se estuda um possível efeito anti-inflamatório de macrolídeos, presente em estudos experimentais e indiretamente citado em estudos clínicos observacionais. A associação de macrolídeos a betalactâmicos é melhor que quinolona isolada para o tratamento de pneumonia comunitária grave, mesmo que a infecção não seja causada por bactérias atípicas (Lodise et al, Antimicrob Agents Chemother 2007; Martin-Loeches I et al, Intensive Care MEd 2010). Por outro lado, sabe-se que após infecções respiratórias (influenza ou por bactérias) ocorre um aumento de mortes por outras doenças principalmente as cardiovasculares. Isto acarretaria em viés de efeito neste caso: pacientes que precisam de antimicrobianos também podem sofrer com morte cardiovascular por aumento de inflamação sistêmica ?
Mesmo assim, grandes estudos ainda não haviam sido realizados para avaliar a segurança de azitromicina em relação a doenças cardiovasculares. Na revista New England J Medicine de 17/5 foi publicado este enorme estudo de coorte de pessoas tomando ou não antibióticos, entre eles atenção especial à azitromicina. Pessoas que são acompanhadas no convênio Medicaid no estado do Tennessee (USA) foram incluídas. Os autores estratificaram os pacientes de acordo com características clínicas e tempo de antibioticoterapia (5 dias). Pacientes acompanhados pelo convênio e que não tinham usado antibióticos no período de 30 dias de seus casos foram escolhidos como controles negativos; para cada caso usando azitro, escolhiam-se 4 controles. Pacientes em uso de amoxicilina/clavulanato, ciprofloxacin e levofloxacin foram escolhidos como controles positivos.
Os resultados foram assustadores: mesmo havendo pacientes um pouco mais graves nos grupos com outros antibióticos (maior presença de diabetes e risco cardiovascular), o uso de azitromicina esteve associado com mais mortes súbitas (odds 2.71), outros eventos cardiovasculares (odds 3.54), totalizando quase 3 vezes mais risco de qualquer evento cardiovascular com este antibiótico. Mortes por outras causas que não cardiovasculares não foram diferentes entre aqueles que receberam azitro versus outros antibióticos. OS autores ainda dividiram o período de acompanhamento entre D1-D5 de antibiótico e D6-D10, e os resultados são significativamente diferentes e piores para azitromicina no primeiro período. Finalmente, os autores estratificaram os resultados pelo risco basal de morte cardiovascular: pacientes com risco aumentado (pontuação em média 10 em total de 19 apresentaram um notável aumento de eventos sérios durante o tratamento, totalizando excesso de 245 mortes por milhão de cursos de tratamento com azitromicina (figura 3 no artigo).
Conclui-se que o tratamento antibiótico com azitromicina deve ser evitado em pacientes com maior risco de morte cardiovascular, até que se confirme a hipótese de prolongamento de intervalo QT causando arritmias fatais em estudo clínico com este propósito específico.
André Japiassú
05 março 2012
Antibióticos esquecidos - vamos retornar com os fósseis ?
A resistência antimicrobiana é um problema comum a muitos hospitais no Mundo. De outro lado, a indústria conseguiu criar série de antimicrobianos ao longo de décadas.
Estudo recente demonstra que antibióticos importantes estão desaparecendo em vários países. Os autores fizeram pesquisa dos antibióticos existentes em países europeus, Estados Unidos, Canadá e Austrália (38 países), e verificaram que não há venda de alguns (ou muitos) deles em parte considerável (Figura).
Alguns antibióticos têm valor único para certos patógenos, como a penicilina G para Treponema pallidum e cloranfenicol para infecções graves por Rickettsia sp (cerca de 40% dos países não tem cloranfenicol para venda). Por outro lado, antibióticos são mais eficazes no tratamento de certas infecções que outros antibióticos. Por exemplo, infecções graves por S aureus sensíveis a meticilina têm respostas mais rápidas quando tratadas com oxacilina do que com glicopeptídeos. E cerca de 60% dos países não possuem oxacilina...
A Organização Mundial de Saúde (OMS) precisa tomar providências para manter a fabricação de antibióticos que não têm mais apelo comercial. A OMS precisa primar pela continuidade do fornecimento de antibióticos mais antigos para manter a boa prática do tratamento de infecções.
André Japiassú
28 outubro 2011
09 outubro 2010
Relação entre germes multirresistentes e tratamento paliativo
Phillip D. Levin, Andrew E. Simor, Allon E. Moses et al. END OF LIFE TREATMENT AND BACTERIAL ANTIBIOTIC RESISTENCE. Chest 2010; 138(3):588–594.
Mais de 20% dos pacientes internados nas UTIs desenvolverão infecções nosocomiais. Destes, muitos evoluirão a óbito causado por germes multirresistentes sem terapia antimicrobiana eficaz.
Neste estudo realizado no Canadá e em Israel foram avaliados quais seriam os fatores determinantes para o surgimento de tais germes nos pacientes com tratamento paliativo. Todos os pacientes foram selecionados na admissão, com exclusão daqueles com qualquer infecção ou colonização por germe resistente. Os pacientes foram avaliados de acordo com as seguintes variáveis: indicação da admissão, escore de gravidade, doenças prévias, dias de internação, ventilação mecânica, cateteres venoso central e uso de antibióticos. Entre os pacientes com altas incidências de multirresistentes encontram-se os diabéticos, os provenientes de outra UTI, aqueles que receberam mais tempo de antibioticoterapia, de ventilação mecânica e de cateter venoso central.
Entretanto, somente a ausência de limitação de suporte (ordem de não ressuscitação, suspensão ou retirada de terapias) foi associada ao risco de multirresistência (OR 2,62 IC 95% 1,21-5,68) (Tabela 1). Isto pode ser explicado pelo fato de que os pacientes que evoluíram a óbito, e não tiveram alguma limitação de tratamento, foram submetidos ao maior uso de antibióticos e maiores taxas de intervenções, principalmente devido à gravidade.
O estudo Ethicus (2003) sugeria este resultado, porém este estudo de Levin et al foi o primeiro a identificar que as escolhas (retirada ou não do suporte) nos pacientes terminais podem influenciar o surgimento de bactérias multirresistentes. Como qualquer estudo retrospectivo, certas limitações estão presentes. É difícil avaliar se uma possível obstinação terapêutica (tratar sem limitar terapia em pacientes com doenças rapidamente fatais e irreversíveis) pode levar a maior incidência de multirresistência, porque este estudo não foi concorrente e se limitou apenas à observação. Não houve também distinção entre colonização e infecção propriamente dita, nem as indicações para pedir culturas em pacientes possivelmente infectados.
Independentemente das limitações, estamos atentos para esta observação de que pacientes com possível indicação de limitação terapêutica podem ser fonte de colonização ou infecção por germes multirresistentes.
02 fevereiro 2009
Descontaminação seletiva de orofaringe ou de trato digestivo: ame-a ou deixe-a
12 setembro 2008
Os 7 pecados - Pneumonia Associada a Ventilação Mecânica
03 setembro 2007
Terapia combinada reduz mortalidade em pneumonia adquirida na comunidade
Rodriquez A, Mendia A, Sirvent J-M, et al
Crit Care Med. 2007;35:1493-1498
Community-acquired pneumonia (CAP) remains one of the most common infectious diseases requiring hospitalization, and severe cases continue to carry a high mortality rate.[1] Early institution of antibiotics has been shown to improve survival in this condition[2] as well as in septic shock.[3] The authors of the current study sought to confirm the findings of previous studies[4-6] that suggested that additional (eg, "dual" or "combination") antibiotic coverage may also improve outcomes for patients with severe CAP. This study examined data from a prior observational cohort study of 529 critically ill patients with CAP in Spain. There was no difference in mortality rate between single and combination antibiotic therapy overall, but for patients with shock, combination therapy was associated with a survival advantage (hazard ratio [HR] 1.69 for single antibiotic therapy). Because it was possible that this finding was due to inappropriate antibiotic coverage for pneumonia pathogens, the authors repeated the analysis in patients with appropriate antibiotic therapy and found a persistent increase in mortality for patients treated with single antibiotic therapy (HR 1.64).
Transfusão de hemácias na UTI: após 20 anos
Título: Red Blood Cell Transfusion in the Intensive Care Unit. Autores: Raasveld SJ, Bruin S, Reuland MC, et al for the InPUT Study Group....
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Nível sérico de fenitoina corrigido = fenitoína sérica / (0,2 x albumina + 0,1) Flávio E. Nácul
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É vasodilatador na circulação sistêmica e vasoconstritor na circulação pulmonar. Flavio E. Nácul

