Este blog tem como objetivo trazer informações e visões críticas sobre os estudos científicos recentes em medicina hospitalar e terapia intensiva. Também no Instagram: artigoscomentadosemmedicina
24 abril 2013
Não use glutamina suplementar em pacientes muito graves !
Este estudo foi randomizado e cego experimentou suplementação de glutamina (IV e enteral) e/ou antioxidantes para os pacientes graves de 40 UTIs canadenses, americanas e europeias. Todos os pacientes estavam em ventilação mecânica e tinha 2 ou mais disfunções orgânicas; a maioria tinha choque. Foram incluídos mais de 1200 pacientes em 4 grupos ! Os pacientes receberam dieta a partir de 24 horas após internação na UTI.
O uso de glutamina esteve associado a maior mortalidade em 28 dias: 32% vs 27% (odds ratio 1.128, p=0,05). É assustador que este efeito deletério persiste em 6 meses para o suo de glutamina (44 vs 37%, p=0,02). O uso de antioxidantes (selenio, zinco, beta-caroteno, vitaminas C e E) não influenciou a mortalidade: 31% vs 29%.
O editorial do artigo de G. van den Berghe critica a alta mortalidade e a idade média de 62 anos (que ela achou muito baixa). No entanto, não vejo disparate nos dados demográficos, assim como a gravidade dos pacientes incluídos (Tabela 1 do artigo). Além disso, o estudo teve a participação de muitas UTIs em diferentes países, sendo difícil trazer um viés de seleção embutido nos resultados.
Este resultado não apaga os teóricos benefícios da glutamina e antioxidantes em pacientes cirúrgicos e em outras eventuais situações. Mas para usar em um paciente grave na UTI, estes suplementos parecem não servir mesmo. O mais importante é dar "comida", tão logo o paciente estiver mais estável.
André Japiassú
16 agosto 2008
inquérito sobre práticas em terapia nutricional enteral em UTI- clique no título para responder!
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Email: bricnet@yahoo.com.br
Prezado colega intensivista,
Este e-mail é uma carta de apresentação e também um convite à sua participação em um inquérito cujo propósito é mapear as práticas em terapia nutricional enteral (TNE) numa população de médicos intensivistas. Este profissional, de modo direto ou indireto, frequentemente depara-se com questões relativas a esta ordem de cuidados sendo muitas vezes “prescritor” e “condutor” da TNE ao paciente crítico em suas unidades de atuação. Enxergamos assim a relevância de iniciativas que permitam-nos conhecer melhor a atuação do intensivista neste campo.
Nesse contexto, apresentamos o inquérito que ora vos convidamos a participar. Trata-se de uma ferramenta de investigação na forma eletrônica, e para acessá-lo, basta dirigir-se à página descrita pelo endereço a seguir. O colega será encaminhado a um formulário ANÔNIMO contendo 20 perguntas de múltipla escolha que buscam identificar práticas nutricionais desde o início do suporte enteral até sua interrupção, além de questões demográficas relativas à atuação de intensivista. Estimamos um período não maior que 10 minutos até a conclusão do inquérito. Este inquérito estará disponível on-line por um período de 21 dias.
Cremos que esta iniciativa é relevante e interessante tanto ao intensivista generalista quanto ao subespecialista, pois trata de um tema indissociavelmente ligado à prática da terapia intensiva. Identificar semelhanças e diferenças tanto na percepção quanto nas práticas nutricionais de uma população de intensivistas é nosso objetivo. Contamos com sua participação.
Desde já, agradecido pela sua disponibilidade subscrevo-me,
Haroldo Falcão Ramos da Cunha
Médico Intensivista (TE-AMIB)
CRM: 5268628-0 / Rio de Janeiro.
12 julho 2008
O USO DE GLUTAMINA NA NUTRIÇÃO PARENTERAL REDUZ A INCIDÊNCIA DE INFECÇÕES NO PACIENTE CRÍTICO CIRÚRGICO
Efficacy of parenteral nutrition supplemented with glutamine dipeptide to decrease hospital infections in critically ill surgical patients.
JPEN 2008;32(4):389-402.
As infecções nosocomiais constituem um causa importante de morbidade e mortalidade nos pacientes críticos. Estivariz et al, em um estudo duplo-cego e randomizado, avaliaram o uso de glutamina na nutrição parenteral de 59 pacientes críticos em pós-operatório de cirurgia cardíaca, vascular, colônica e de necrose pancreática. O desfecho avaliado foi a presença de infecção nosocomial até a alta hospitalar. Os resultados mostraram que a suplementação de glutamina na nutrição parenteral reduziu significativamente a incidência de infecções nosocomiais nos pacientes submetidos à cururgia cardíaca, vascular e de colon. Não ocorreu redução no número de infecções nos pacientes submetidos à cirurgia de necrose pancreática. Os autores concluíram que a suplementação de glutamina na nutrição parenteral tem efeito protetor contra infecções em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca, vascular e de colon.
Flávio E. Nácul
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