Este blog tem como objetivo trazer informações e visões críticas sobre os estudos científicos recentes em medicina hospitalar e terapia intensiva. Também no Instagram: artigoscomentadosemmedicina
28 junho 2015
Comparação entre Early-goal directed therapy 2001 vs 2015
André Japiassú
27 outubro 2014
Uso de corticoide no choque séptico: mil maneiras de fazer
O que é o certo para prescrever corticoide num caso de choque séptico ? Segundo as diretrizes atuais (Surviving sepsis campaign, 2013), deve-se considerar o uso de hidrocortisona no paciente com choque refratário, com uso de amina(s) vasoativa(s). Esta é uma recomendação fraca, porque os estudos com maior população falharam em mostrar benefício em mortalidade. Há benefício para retirar aminas (recomendação fraca).
Mas como isto se traduz na prática clínica ? Pesquisadores da universidade de Atlanta fizeram uma revisão de 155 casos de choque séptico internados nas 8 UTIs do seu hospital, e viram como se usou corticoterapia. A seguir, passaram questionário sobre o uso de corticoide na sepse.
1. o que é dose alta de amina vasoativa ?
Eles precisaram categorizar as doses de noradrenalina, adrenalina, dopamina, fenilefrina e vasopressina, em doses baixas, moderadas e altas. Esta classificação poderia até ser usada nos próximos estudos do tema...

2. quando se começou corticoide nos casos de choque séptico vistos retrospectivamente ?
A maioria começou quando o paciente estava usando 2 ou mais aminas, concomitantemente, sem se importar com a dose. Não havia concordância entre a dose de amina e o início do corticoide.
3. qual foi a dose mais usada ?
Hidrocortisona 50 mg, de 6/6 h ou 100 mg de 8/8 h (128/155 pacientes).
4. como se retira o tratamento com corticoide ?
75% retira após a suspensão de aminas; 20% retira quando ainda há prescrição de aminas !
5. o que é choque não responsivo a volume e vasopressor ?
Os médicos responderam quase qualquer coisa: dose moderada ou alta, 1 ou mais aminas, hipotensão mantida por mais de 1 hora, se não se atingiu a PVC > 10-12 mmHg, sei lá muitas coisas.
6. 22% dos médicos consideram usar corticoide de maneira ocasional ou raramente...
7. quanto tempo após o início do choque séptico não adianta dar corticoide (terapia tardia) ?
Cerca de 20-25% respondeu no 1o, 2o, 3o ou após 4o dia; ou seja, não há consenso.
8. como cada um suspende a corticoterapia ?
Muitos fazem retirada gradual, dependendo do tempo com corticoide ou da dose de amina; porém 20% retira sem fazer desmame. E cerca de 50% começa a retirar o corticoide após 24 h sem aminas.
Depois disso tudo, só se chega a uma conclusão: o uso de corticoide no choque séptico não segue nenhum roteiro ou protocolo. Será por isso que não há resultados confiáveis em termos de mortalidade ? Talvez sim, talvez não. Merece uma música de Caetano.
Como eu faço ? Começo após 24 h de choque; principalmente se há uso de pelo menos 1 amina vasoativa em dose alta (noradrenalina > 0,5 mcg/kg/min), após balanço hídrico positivo; faço hidrocortisona 50 mg, de 8/8 ou 6/6 horas (peso menor ou maior que 50 kg); mantenho durante uns 3-4 dias avaliando se houve redução das doses de amina(s) - se não houver, eu suspendo, pois de nada adiantou e pode aumentar risco de infecções secundárias; se reduziu aminas, eu mantenho até 24 h após suspensão da amina; não tenho paciência para retirada gradual - eu a faço em 24-48 horas, no máximo.
André Japiassú
25 fevereiro 2013
As mudanças na Campanha de Sobrevivência à Sepse
Dellinger RP, Levy MM, Rhodes A, Annane D, Gerlach H, Opal SM, Sevransky JE, Sprung CL, Douglas IS, Jaeschke R, Osborn TM, Nunnally ME, Townsend SR, Reinhart K, Kleinpell RM, Angus DC, Deutschman CS, Machado FR, Rubenfeld GD, Webb SA, Beale RJ, Vincent JL, Moreno R; Surviving Sepsis Campaign Guidelines Committee; Pediatric Subgroup.
Crit Care Med 2013 Feb;41(2):580-637.
No mês passado, foi lançada a nova versão para a Campanha de Sobrevivência à Sepse. Vieram algumas mudanças das versões de 2004 e 2008. E suma, os especialistas deram ênfase ao tratamento inicial e às estratégias de prevenção de novas infecções, principalmente nosocomiais.
Reparem também que a relação de conflitos de interesse de todos os autores vem discriminada logo no início do artigo, o que passa maior transparência da autoria. Temos também a Dra Flavia Machado, que representa muito a luta contra a sepse no Brasil; isto dá maior credibilidade e representatividade aos países da América Latina.
Algumas recomendações caíram em desgraça (por exemplo, a proteína C ativada, que saiu até do mercado) e outras apareceram ou subiram de conceito (identificação precoce da sepse, clearance de lactato, descalonamento de antibióticos quando possível, monitorização do tratamento com procalcitonina). Algumas recomendações viraram de cabeça pra baixo, como o uso de bloqueio neuromuscular para SARA, que era contraindicado em 2004 e pode ser usado para SARA grave agora. Outros casos como este são: a preferência de cristaloides para reposição inicial; início de noradrenalina mais precoce para elevar a PAM mais rapidamente.
Resumo: (tabela abaixo)
Em alta - cristaloides; lactato; antibioticoterapia precoce; procalcitonina; prevenção de infecções nosocomiais; noradrenalina; dieta enteral; VNI.
Em baixa - early-goal therapy (Rivers); coloides (exceto albumina); dopamina; proteína C ativada; controle glicêmico.

André Japiassú
31 outubro 2012
TRANSFUSÃO DE CONCENTRADO DE HEMÁCIAS NÃO MELHORA OFERTA TECIDUAL DE OXIGÊNIO
Ref: J Emerg Med 2012; 43:593-598
Flávio E. Nácul
08 fevereiro 2012
Etomidato: to be or not to be ?
Em meados de 1981 foi lançado o etomidato para sedação em pacientes graves. Esta droga vinha com a vantagem de não causar instabilidade hemodinâmica, o que é interessante para doentes graves com choque ou potencial para hipotensão. Mas em 1984 uma série de publicações apontaram o desenvolvimento de insuficiência adrenal como efeito colateral, tanto com infusão em bolus quanto contínua. Watt e Ledingham (Anaesthesia, 1984) mostraram que a mortalidade na UTI deles era de cerca de 20 a 30% antes e 47% após a introdução do etomidato na rotina de sedação de pacientes graves. A mortalidade caiu de novo para 25% após a suspensão de etomidato do protocolo de tratamento da UTI.
Não houve continuidade no estudo da causa certa de aumento de mortalidade de pacientes graves que usam etomidato, embora tenha se demonstrado a inibição de esteroidogênese (Wagner et al, N Engl J Med 1984).
Em 2005, Jackson publicou um artigo de opinião na Intensive Care Medicine, sugerindo que a droga fosse abandonada na UTI. Doentes sépticos, que podem desenvolver disfunção adrenal, seriam os mais afetados pelo uso de etomidato. Mas ele também deixou dúvida, porque não existia um estudo clínico de fase 3 ou 4 que pudesse afirmar ou rejeitar a hipótese.
Mesmo sem termos grandes estudos, Albert e colaboradores realizaram uma revisão sistemática para avaliar a incidência de insuficiência adrenal e a mortalidade em pacientes graves na UTI. Entre 263 estudos com os termos etomidato, insuficiência adrenal, glicocorticoides e cuidados intensivos, foram selecionados 19 estudos: 7 estudos clínicos randomizados controlados, 8 estudos retrospectivos e 4 estudos observacionais. O total de pacientes foi: 1321 com etomidato e 2195 sem etomidato (placebo ou outro sedativo). Todos os estudos foram publicados entre 1999 e 2009.
Pacientes que usaram etomidato desenvolveram mais insuficiência adrenal que controles (62% versus 44%, odds 1,64 [IC 95% = 1,52-1,77]). O etomidato também se associou com maior mortalidade: 43% versus 34%, odds 1,19 [IC 95% = 1,09-1,30]).
Até que se mostre o contrário, não se deve usar etomidato em pacientes graves, tanto pelo seu efeito na síntese de glicocorticoides, quanto pelo aumento de mortalidade.
André Japiassú
09 dezembro 2011
O CLEARANCE DO LACTATO DEVE SUBSTITUIR A SVO2 COMO META NA RESUSCITAÇÃO VOLÊMICA DO CHOQUE SÉPTICO?
08 dezembro 2011
EVOLUÇÃO DAS DISFUNÇÕES ORGÂNICAS EM PACIENTES COM CHOQUE SÉPTICO TRATADOS COM CORTICÓIDES: RESULTADOS DO ESTUDO CORTICUS
19 julho 2010
Uso de corticosteroides para sepse grave ao redor do mundo

04 março 2010
Noradrenalina x Dopamina em Pacientes com Choque
17 outubro 2009
6S TRIAL
http://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT00962156
Flávio E. Nácul
16 outubro 2009
INIBIDOR DO NFKB PREVINE DOWN-REGULATION DOS RECEPTORES ADRENÉRGICOS NA SEPSE
Estudo em ratos com sepse mostrou que a inibição do NFKB previne a down-regulation dos receptores alfa-adrenérgicos que ocorre na sepse. Estes achados sugerem que a ativação do NFKB tenha um papel importante na vasoplegia dos pacientes portadores de choque séptico. Os autores recomendam mais estudos utilizando inibidores do NFKB na sepse.
Flávio E. Nácul
25 fevereiro 2009
PACIENTES DIABÉTICOS APRESENTAM MENOS INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA
Esper AM, Moss M, Martin GS. Critical Care. 2009; 13:R18
Esse artigo interessante mostra que os pacientes diabéticos apresentam menor predisposição a evoluir com insuficiência respiratória durante o curso do choque séptico, mesmo quando a causa primária da sepse é pulmonar. Em compensação, eles possuem risco aumentado de evoluir com insuficiência renal.
Esse estudo vem corroborar análises anteriores que mostravam um efeito protetor do diabetes no desenvolvimento de SARA.
Cássia Righy
14 dezembro 2008
Mortalidade em pacientes com pneumonia grave - clique no título para ir ao artigo!
Mortality in ICU patients with bacterial community-acquired pneumonia: when antibiotics are not enough.
Critical Care Department, Pere Virgili Health Institut and CIBER Enfermedades Respiratorias (CIBERES), Joan XXIII University Hospital, Mallafré Guasch 4, 43007, Tarragona, Spain.
BACKGROUND: It remains uncertain why immunocompetent patients with bacterial community-acquired pneumonia (CAP) die, in spite of adequate antibiotics. METHODS: This is a secondary analysis of the CAPUCI database which was a prospective observational multicentre study. Two hundred and twelve immunocompetent patients admitted to 33 Spanish ICUs for CAP were analyzed. Comparisons were made for lifestyle risk factors, comorbidities and severity of illness. ICU mortality was the principal outcome variable. RESULTS: Bacteremic CAP (43.3 vs. 21.1%) and empyema (11.5 vs. 2.2%) were more frequent (P < n =" 122)" n =" 90),">
14 novembro 2008
A mortalidade por choque séptico realmente reduziu nos últimos anos ?
19 outubro 2008
Charles Sprung: dono da verdade ou estraga-prazeres ?


06 agosto 2008
INIBIÇÃO DOS CANAIS DE POTÁSSIO NA SEPSE
Curr Opini Anaesthesiol 2008; 21:105-10
A vasodilatação bem como a redução da sensibilidade às catecolaminas vasopressoras que ocorrem na sepse provavelmente estão relacionadas com o aumento de atividade dos canais de potássio da musculatura lisa dos vasos. Estudos experimentais com fármacos que inibem a atividade dos canais de potássio (exemplo: sulfonilureias) mostram reversão da hipotensão e melhora da sensibilidade às catecolaminas. Porém, estes achados não foram confirmados com a utilização de glibencamida em humanos. Os autores concluem a revisão afirmando que a inibição dos canais de potássio pode ser uma boa opção no tratamento da hipotensão de pacientes sépticos e sugerem novos estudos para avaliar esta modalidade terpêutica.
Flávio E. Nácul
Transfusão de hemácias na UTI: após 20 anos
Título: Red Blood Cell Transfusion in the Intensive Care Unit. Autores: Raasveld SJ, Bruin S, Reuland MC, et al for the InPUT Study Group....
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A identificação de pneumotórax pela US é de aplicação simples e rápida. Esta é uma aplicação muito útil nas UTIs, porque a presença de pneum...
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Nível sérico de fenitoina corrigido = fenitoína sérica / (0,2 x albumina + 0,1) Flávio E. Nácul
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É vasodilatador na circulação sistêmica e vasoconstritor na circulação pulmonar. Flavio E. Nácul
