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29 julho 2023

O que há de novo no guia de Sepse Internacional ? Novidades depois da pandemia

A pandemia de Covid-19 ofuscou muitas coisas que surgiram durante o período de 2020 a 2022. Prestamos atenção no atendimento desta doença viral, que causou sepse muitas vezes, mas o guia da Surviving Sepsis Campaign foi revisado (com 1 ano de atraso) e publicado. Vamos analisar algumas novidades e alterações das recomendações, em relação à última versão de 2016 (baesado na referência abaixo e opiniões próprias).


  1. Houve maior inclusão de experts ao redor do mundo ! Foram 60 espalhados por 22 países, descentralizando as decisões que era o “standard” anteriormente. Ex-pacientes e familiares também foram representados, com a participação de 11 leigos;

  2. A maior novidade foi a seção sobre recuperação e prognóstico a longo prazo. Embora as principais medidas são aquelas que devem ser realizadas nas primeiras 1-3 horas de atendimento, houve ênfase na necessidade de cuidados após a fase mais aguda, com recomendação de follow-up, suporte social e financeiro, reabilitação funcional e psicológica e atenção para medidas que evitem reinternações (que são frequentes nesta população = 1 em cada 3 pacientes procura emergência após alta hospitalar em 30 dias pós-alta e 1 em 6 pacientes volta a internar também em 1 mês). Mas todas estas medidas ainda não foram mensuradas em relação à sua eficácia e/ou redução de morbi-mortalidade;

  3. Total de recomendações = 93; apenas 15 com grau forte de evidências; outras 15 são opiniões de “melhor prática”; 9 de NÃO recomendações (seria melhor dizer contraindicações); e o restante são recomendações fracas, nas quais subentende-se que você pode ou não acatar;

  4. Uma “não-recomendação” foi o uso do escore simples de qSOFA para estratégia única de screening/triagem de pacientes, principalmente em emergências; nem sensibilidade nem especificidade são relevantes, principalmente quando se compara com outros escores de avaliação de pacientes sépticos, como MEWS, NEWS e outros escores que abrangem mais sinais vitais e oxigenação;

  5. A reposição de líquidos também é menos valorizada hoje em dia; a quantidade de 30 ml/kg (cerca de 2 litros num paciente adulto) pode eventualmente aumentar morbidade, principalmente em cardiopatas e nefropatas crônicos;

  6. O debate cristaloide versus coloide parece “demodé”: cristaloides são unanimidade, com preferência duvidosa para soluções equilibradas com menos sódio e cloro (ex. Ringer lactato). Mais 1 contraindicação é usar amidos ou gelatinas como reposição volêmica. O uso de albumina é recomendado quando já se fez muito líquido cristaloide (mas ninguém diz o quanto é muito…);

  7. O exame clínico de enchimento capilar periférico é útil e semelhante ao uso de lactato sérico seriado para monitorar o tratamento (mas o efeito é marginalmente melhor para o exame clínico… p valor de 0,06; a clínica é soberana!);

  8. Administrar o antibiótico em 1 hora após a apresentação continua fortemente recomendada para doentes com choque, mas pode ser em até 3 horas se não é choque séptico (cabe fazer diagnóstico diferencial com outras causas de descompensação clínica ou pacientes com infecção sem sepse). Mas na prática, aumentar a variabilidade de condutas pode confundir a equipe e afrouxar o protocolo. Na verdade, o paciente com infecção, mesmo sem sepse, precisará de antibiótico igualmente; melhor que seja precocemente. Por outro lado, pode haver um certo desperdício de uso de antibióticos e todos temem aumento de resistência antimicrobiana;

  9. O dogma que vasopressor só pode ser feito em acesso venoso profundo agora tem uma janela de exceção de 4 a 6 horas, e não se atrasa o tratamento de um paciente com choque e hipoperfusão periférica e precisa de noradrenalina (1a opção) em acesso periférico;

  10. Corticoide: se mantém como opção para reduzir tempo de uso de vasopressor, mas não é obrigatório;

  11. Vitamina C: finalmente acabou esta discussão com estudos clínicos de resultado negativo, ou seja, é apenas uma vitamina e não interfere no prognóstico.


Referências:

  • Prescott HC, Ostermann M. What is new and different in the 2021 Surviving Sepsis Campaign guidelines. Med Klinic 2023, https://doi.org/10.1007/s00063-023-01028-5.

  • Chang DW, Tseng CH, Shapiro MF. Rehospitalizations Following Sepsis: Common and Costly. Crit Care Med 2015; 43(10):2085–93.

  • Jones TK, Fuchs BD, Small DS, et al. Post–Acute Care Use and Hospital Readmission after Sepsis. Ann Am Thorac Soc. 2015; 12(6): 904–13.

  • Hernandez G, Ospina-Tascon G, Damiani LP, et al. Effect of a Resuscitation Strategy Targeting Peripheral Perfusion Status vs Serum Lactate Levels on 28-Day Mortality Among Patients With Septic Shock: The ANDROMEDA-SHOCK Randomized Clinical Trial. JAMA 2019;321(7): 654-64.

12 março 2016

Novas definições de sepse (SEPSIS-3): o que a Surviving Sepsis Campaign diz ? E o que não diz ?

Veja carta na íntegra em:
http://www.survivingsepsis.org/SiteCollectionDocuments/SSC-Statements-Sepsis-Definitions-3-2016.pdf

As novas definições de sepse foram publicadas há menos de 1 mês e as controvérsias vão longe ! Tivemos pronunciamentos do ILAS, da ACCP, palestras online da Sociedade Europeia de Medicina Intensiva (M. Singer, que também redefiniu sepse na JAMA). Teve gente que gostou, teve gente que não gostou, teve gente em cima do muro.

Mas o que interessa é: a Surviving Sepsis Campaign apoia ou não as novas definições ? A campanha guia milhares de hospitais e sociedades mundo afora, com recomendações equilibradas e cuidadosamente analisadas por experts. Os responsáveis pela SSC divulgaram carta em 1 de março; já fazem 12 dias, eu li há 10 dias, mas confesso que só consegui entender (ou não) agora.

A carta começa dizendo que as novas definições foram lançadas e a SSC pretende facilitar o screening, identificação e tratamento precoces da sepse, que foram os principais responsáveis pela redução de mortalidade demonstrada na última década. Mas logo depois anuncia: para hospitais que se preparam para a transição das definições, a identificação da sepse deve CONTINUAR essencialmente como anteriormente recomendado pela SSC:

1 - screening e manuseio da infecção;

2 - screening de disfunções orgânicas e manuseio da sepse;

3 - manuseio de pacientes com hipotensão (PA sistólica < 90 mmHg), mas também hiperlactatemia > 4 mmol/l (repetir em 6 h se lactato > 2 mmol/l).

Nas entrelinhas, eu entendo que a SSC mantém as velhas recomendações de identificação do paciente séptico, sem mencionar SIRS, mas também não recomendando qSOFA ou SOFA. Ou seja, "concordo, mas muito pelo contrário"...

Depois a coisa fica mais categórica: o quick SOFA não define sepse, embora a presença de 2 de 3 (hipotensão, taquipneia e alteração da consciência) prediga maior mortalidade hospitalar. Logo, para aqueles hospitais que não estão preparados (acho que quase todos...), não altere agora a questão de identificação.

A conclusão é que as novas definições não ajudam a identificar sepse mais precocemente. No momento, elas ajudam a prognosticar, o que é pouco na prática do dia-a-dia.

Minha opinião é que agora apenas se começa a refinar as novas definições, para tentar deixar a velha SIRS/sepse/sepse grave com melhor acurácia (relação entre sensibilidade e especificidade). Já temos grande sensibilidade com as antigas definições; as novas definições propostas no estudo SEPSIS-3 trazem maior especificade. Acho que chegaremos a um meio termo; que tal brincar de misturar taquicardia ou hiperlactatemia no qSOFA ? Ver como fica na prática, para definir casos de sepse, ao contrário de apenas predizer mortalidade.

Vejamos as próximas notícias e publicações.

PS - uma coisa é certa; como um amigo meu falou nesta semana, estas novas definições trouxeram um pouco de agitação no marasmo que a Medicina Intensiva estava...

André Japiassú

20 outubro 2014

E agora José ? É pra manter "early goal directed therapy" na sepse ?

ARISE Investigators. Goal-directed resuscitation for patients with early septic shock. N Engl J Med. 2014 Oct 16;371(16):1496-506.
PROCESS Investigators. A randomized trial of protocol-based care for early septic shock. N Engl J Med. 2014 May 1;370(18):1683-93.
Surviving Sepsis Campaign responds PROCESS and ARISE trials - http://www.survivingsepsis.org/SiteCollectionDocuments/ProCESS-ARISE.pdf

Não se fala em outra coisa sobre sepse após a publicação destes 2 estudos acima. Afinal de contas, o EGDT foi o pontapé inicial para a campanha de combate a sepse há 13 anos atrás e se manteve como recomendação forte apesar de intempéries nas diretrizes de 2004, 2008 e 2012.

No que consiste a EGDT ? É a união do pacote de diagnóstico e início de tratamento da infecção que causa a sepse (hemoculturas, dosagem do lactato, antibióticos e reposição volêmica) com o pacote de otimização hemodinâmica (manutenção de pressão arterial e perfusão orgânica com monitorização de pressão venosa central - PVC, saturação venosa central de O2 - SvcO2, e reposição de líquidos, uso de dobutamina e concentrado de hemácias através de objetivos de PVC, SvcO2 e hematócrito). No trabalho original de Rivers et al (2001), a mortalidade hospitalar caiu de 46% para 30% no grupo de intervenção.

O que mudou então ? Vários estudos confirmaram os resultados com maior ou menor sucesso. Mas, houve suspeita de fraude através da associação com a indústria de cateteres (Rivers, New York Times), e de um pouco de inveja também. Além de grande avanço na implementação de protocolos de diagnóstico e tratamento em vários locais, principalmente do "feijão-com-arroz" pacote de 3 horas: hemoculturas, dosagem do lactato, antibióticos e reposição volêmica na 1a hora após diagnóstico da sepse. Por exemplo, a mortalidade de sepse grave em jovens sem comorbidades na Austrália é inferior a 5%.

Novos estudos surgiram. Dois deles - PROCESS (n=1341) e ARISE (n=1600) - são estudos randomizados e multicêntricos, nos quais se testa a utilização ou não do EGDT. É bom dizer que a mortalidade no grupo sem intervenção (controle) foi em torno de 18% ! É uma mortalidade bem abaixo de 46% do estudo seminal de Rivers em 2001. A implementação do EGDT não influenciou a mortalidade hospitalar ou em 90 dias, que foi até ligeiramente maior no grupo intervenção (~19-21%).

O comitê da Surviving Sepsis Campaign soltou uma carta em 1 de outubro, dizendo que os estudos são muito importantes e representam desenvolvimento do conhecimento através do cuidado com excelência dos pacientes com sepse grave. Embora não se acrescente benefício com EGDT, a estratégia também não causa malefício, por conta de uso de dobutamina, transfusão ou sobrecarga hídrica. Não haverá mudanças nas diretrizes, provavelmente até 2016. É bom lembrar que a estratégia de EGDT não teve efeito quando o tratamento alcançou mortalidade muito menor historicamente - 18-21%. A mortalidade ainda é alta em vários países, principalmente mais pobres, por conta de falta de implementação completa dos pacotes de 3 e 6 horas.

Enfim, dispensar o EGDT é pra quem pode (mortalidade de sepse grave < 20%), e não pra quem quer...

André Japiassú

25 fevereiro 2013

As mudanças na Campanha de Sobrevivência à Sepse

Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Severe Sepsis and Septic Shock: 2012.
Dellinger RP, Levy MM, Rhodes A, Annane D, Gerlach H, Opal SM, Sevransky JE, Sprung CL, Douglas IS, Jaeschke R, Osborn TM, Nunnally ME, Townsend SR, Reinhart K, Kleinpell RM, Angus DC, Deutschman CS, Machado FR, Rubenfeld GD, Webb SA, Beale RJ, Vincent JL, Moreno R; Surviving Sepsis Campaign Guidelines Committee; Pediatric Subgroup.
Crit Care Med 2013 Feb;41(2):580-637.

No mês passado, foi lançada a nova versão para a Campanha de Sobrevivência à Sepse. Vieram algumas mudanças das versões de 2004 e 2008. E suma, os especialistas deram ênfase ao tratamento inicial e às estratégias de prevenção de novas infecções, principalmente nosocomiais.
Reparem também que a relação de conflitos de interesse de todos os autores vem discriminada logo no início do artigo, o que passa maior transparência da autoria. Temos também a Dra Flavia Machado, que representa muito a luta contra a sepse no Brasil; isto dá maior credibilidade e representatividade aos países da América Latina.

Algumas recomendações caíram em desgraça (por exemplo, a proteína C ativada, que saiu até do mercado) e outras apareceram ou subiram de conceito (identificação precoce da sepse, clearance de lactato, descalonamento de antibióticos quando possível, monitorização do tratamento com procalcitonina). Algumas recomendações viraram de cabeça pra baixo, como o uso de bloqueio neuromuscular para SARA, que era contraindicado em 2004 e pode ser usado para SARA grave agora. Outros casos como este são: a preferência de cristaloides para reposição inicial; início de noradrenalina mais precoce para elevar a PAM mais rapidamente.

Resumo: (tabela abaixo)
Em alta - cristaloides; lactato; antibioticoterapia precoce; procalcitonina; prevenção de infecções nosocomiais; noradrenalina; dieta enteral; VNI.
Em baixa - early-goal therapy (Rivers); coloides (exceto albumina); dopamina; proteína C ativada; controle glicêmico.



André Japiassú

16 novembro 2011

Adeus Xigris; há algo de novo para sepse ?

A empresa Lilly anunciou a retirada do medicamento Xigris (proteína C ativada) do mercado mundial. Se alguém quiser usar o medicamento, não o encontrará mais para comprar. Leia no site: http://www.rcmpharma.com/actualidade/medicamentos/27-10-11/eli-lilly-retira-xigris-de-todos-os-mercados-mundiais.

A novela do Xigris durou 10 anos. Em 2001, saiu o PROWESS, estudo clínico na New England Journal of Medicine (maior revista médica do mundo), mostrando que havia redução de mortalidade de 6% no subgrupo de pacientes mais graves (APACHE II > 25 pontos). Este resultado foi o suficiente para lançar no mercado a medicação, que custava aproximadamente R$ 40 a 50 mil na época. Chegou-se a dizer que seria anti-ético não usá-lo no paciente séptico grave, em meados de 2003-2004. A Campanha Surviving Sepsis Campaign, de 2004, indicava seu uso, com bom grau de evidência (B).

A partir de 2004, com a publicação de 2 estudos com pacientes sépticos menos graves, pairaram as primeiras dúvidas sobre a medicação. Não houve benefício, enquanto os pacientes apresentavam o dobro de chance de sangramento. Outros estudos com uso off-label na Itália e no Canadá também levantaram dúvidas sobre o real benefício do Xigris.

Acontece que os efeitos clínicos são discretos, como melhora de disfunções orgânicas, e têm base em estudos experimentais (que foram publicados após a liberação de uso clínico). Pode ser que algum subgrupo de pacientes com sepse possa ter algum benefício, mas isto não ficou claro nos estudos clínicos. Por último, muitos pesquisadores que publicaram estes estudos foram patrocinados pela empresa, e tinham obviamente conflitos de interesse.

O ultimato para retirar a droga foi o estudo PROWESS-SHOCK (ainda não publicado), no qual tentou-se reproduzir os resultados do PROWESS, em pacientes com choque e mais 1 disfunção orgânica; não houve redução de mortalidade em 28 dias.

Recentemente, na semana passada, participei de uma mesa sobre terapias na sepse no Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva (Porto Alegre), na qual participaram alguns experts na área. Foram várias palestras bacanas sobre uso de fluidos, aminas, nutrição e monitorização metabólica. No fim, perguntei o que seria importante focar na próxima década, se quase todas as terapias falharam na década de 2000. Só JL Vincent não fugiu da raia e respondeu: "Fizemos tudo errado até agora sobre tratamento da sepse; temos que abordá-la de forma totalmente diferente a partir de agora, talvez minuciando subgrupos de pacientes, ou focando em educação nesta área". Fica a dica do craque.

André Japiassú

14 dezembro 2008

Mortalidade em pacientes com pneumonia grave - clique no título para ir ao artigo!

Neste estudo prospectivo 212 pacientes com pneumonia adquirida na comunidade que foram internados em UTI foram avaliados e uma mortalidade em torno de 30% foi observada.
O estudo revela que a despeito do acerto na antibioticoterapia inicial, a mortalidade e as complicações clínicas (empiema, choque, necessidade de VM) permanecem extremamente altas. Isto é especialmente importante se considerarmos que apenas pacientes imunocompetentes foram avaliados.
Os autores concluem que pacientes com os principais preditores de morte (choque, insuf renal e APACHE II>24) deve-se considerar como população alvo para estudos de terapias adjuvantes.

Tal fato nos leva de volta a avaliação dos critérios de seleção de pacientes para terapias adjuvantes.
Certamente terapias adjuvantes devem ser testadas em populações com alto risco de morte, contudo deve-se ter critérios bem definidos que indiquem que a intervenção (corticóides, anticoagulantes etc...) será utilizada em pacientes com alterações fisiológicas e imunológicas que possam ser consideradas marcadores ou preditores de boa resposta.
O uso de biomarcadores vem sendo testado nesse sentido, contudo ao contrário da oncologia e hematologia onde as alterações específicas e assinaturas genéticas orientam com precisam as novas terapias, ainda estamos muito distantes da aplicação prática desse conceito.

Jorge Salluh






Mortality in ICU patients with bacterial community-acquired pneumonia: when antibiotics are not enough.

Critical Care Department, Pere Virgili Health Institut and CIBER Enfermedades Respiratorias (CIBERES), Joan XXIII University Hospital, Mallafré Guasch 4, 43007, Tarragona, Spain.

BACKGROUND: It remains uncertain why immunocompetent patients with bacterial community-acquired pneumonia (CAP) die, in spite of adequate antibiotics. METHODS: This is a secondary analysis of the CAPUCI database which was a prospective observational multicentre study. Two hundred and twelve immunocompetent patients admitted to 33 Spanish ICUs for CAP were analyzed. Comparisons were made for lifestyle risk factors, comorbidities and severity of illness. ICU mortality was the principal outcome variable. RESULTS: Bacteremic CAP (43.3 vs. 21.1%) and empyema (11.5 vs. 2.2%) were more frequent (P < n =" 122)" n =" 90),">

21 novembro 2008

Participe da pesquisa sobre Pneumonia Comunitária Grave- Clique aqui para responder

Caro Colega,

Até o presente momento já contamos com mais de 400 respostas! Caso não tenha participado, responda e divulgue no seu serviço. Segue o convite abaixo.

Vimos por este meio convidá-lo a participar neste inquérito internacional sobre “Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) grave: práticas de estratificação, diagnóstico e tratamento”. Este inquérito pretende delinear o panorama atual da percepção da abordagem da PAC grave por médicos intensivistas, internistas, pneumologistas e de outras especialidades clínicas envolvidas no seu tratamento. Este inquérito será aplicado simultaneamente no Brasil, Portugal e Espanha e conta com o apoio de sociedades e organizações médicas locais.
O inquérito será disponibilizado por via eletrônica na internet e é totalmente anônimo, de modo a não permitir a sua identificação.
Ele é composto de três seções abordando diagnóstico, estratificação e tratamento. O preenchimento demora cerca de 10 minutos e as instruções estão na página inicial.
O inquérito ficará disponível na Internet no período de 15 de Outubro a 15 de Dezembro de 2008.
Ajude-nos a divulgá-lo. Quanto mais profissionais participarem, maior será a sua representatividade e melhor será a nossa capacidade de desenhar estudos futuros sobre estes temas que estejam de acordo com a realidade e as necessidades dos doentes com PAC grave.
Para ter acesso ao site com o inquérito clique no link abaixo e caso não consiga o acesso, copie e cole na barra de endereços do seu browser o seguinte endereço:

http://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=3b_2bD3oQYhC2Qqh62gbo8Uw_3d_3d

http://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=3b_2bD3oQYhC2Qqh62gbo8Uw_3d_3d

Muito obrigado pela sua participação.
Atenciosamente,

Comité Coordenador do Estudo

Jorge Salluh
Coordenador da UTI do Instituto Nacional de Câncer, RJ
Coordenador da Brazilian Research in Intensive Care Network (BRICnet www.bricnet.org )

Thiago Lisboa
Critical Care Department, Joan XXIII University Hospital, University Rovira & Virgili, Institut Pere Virgili, CIBER Enfermedades Respiratorias, Tarragona, Spain.

Pedro Póvoa
Coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos Médicos, Hospital São Francisco Xavier, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental
Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal.

18 novembro 2008

Conhecendo melhor as infecções por bactérias multiresistentes

Para aumentar nosso conhecimento sobre infecções por Multiresistentes.


Research

Determinants and impact of multidrug antibiotic resistance in pathogens causing ventilator-associated-pneumonia

Pieter Depuydt et al

Critical Care 2008, 12:R142doi:10.1186/cc7119


Published: 17 November 2008

Abstract (provisional)

Introduction

It is still debated whether multidrug antibiotic resistance (MDR) in pathogens causing ventilator-associated pneumonia (VAP) is an independent risk factor for adverse outcome. We aimed to identify the determinants of multidrug antibiotic resistance (MDR) versus non-MDR microbial etiology in VAP and assessed whether MDR versus non-MDR VAP was independently associated with increased 30 days mortality.

Methods

We performed a retrospective analysis of a prospectively registered cohort of adult patients with microbiologically confirmed VAP, diagnosed at a university hospital intensive care unit during a three-year period. Determinants of MDR as compared to non-MDR microbial etiology and impact of MDR versus non-MDR etiology on mortality were investigated using multivariate logistic and competing risk regression analysis.

Results

MDR pathogens were involved in 52 of 192 episodes of VAP (27%): methicillin-resistant Staphylococcus aureus in 12 (6%), extended-spectrum beta-lactamase producing Enterobacteriaceae in 28 (15%), MDR Pseudomonas aeruginosa and other non-fermenting pathogens in 12 (6%). Multivariable logistic regression identified the Charlson index of comorbidity (OR 1.38, 95% CI 1.08-1.75, p=0.01) and previous exposure to more than two different antibiotic classes (OR 5.11, 95% CI 1.38-18.89, p=0.01) as predictors of MDR etiology. 30 days mortality following VAP caused by MDR versus non-MDR was 37% and 20% (p=0.02) respectively. A multivariate competing risk regression analysis showed that renal replacement therapy prior to VAP (Standardized Hazard Ratio (SHR) 2.69, 95% CI 1.47-4.94, p=0.01), the Charlson index of comorbidity (SHR 1.21, 95% CI 1.03 -1.41, p=0.03) and septic shock upon ICU admission (SHR 1.86, 95% CI 1.03 - 3.35, p=0.03), but not MDR etiology of VAP, were independent predictors of mortality.

Conclusions

The risk of MDR pathogens causing VAP was mainly determined by comorbidity and prior exposure to more than two antibiotics. The increased mortality of VAP caused by MDR as compared to non-MDR pathogens was explained by more severe comorbidity and organ failure prior to VAP.

08 novembro 2008

Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) grave: práticas de estratificação, diagnóstico e tratamento: clique no titulo para participar!

Caro Colega,

Até o presente momento já contamos com mais de 300 respostas! Caso não tenha participado, responda e divulgue no seu serviço. Segue o convite abaixo.

Vimos por este meio convidá-lo a participar neste inquérito internacional sobre “Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) grave: práticas de estratificação, diagnóstico e tratamento”. Este inquérito pretende delinear o panorama atual da percepção da abordagem da PAC grave por médicos intensivistas, internistas, pneumologistas e de outras especialidades clínicas envolvidas no seu tratamento. Este inquérito será aplicado simultaneamente no Brasil, Portugal e Espanha e conta com o apoio de sociedades e organizações médicas locais.
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Ele é composto de três seções abordando diagnóstico, estratificação e tratamento. O preenchimento demora cerca de 10 minutos e as instruções estão na página inicial.
O inquérito ficará disponível na Internet no período de 15 de Outubro a 15 de Dezembro de 2008.
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Para ter acesso ao site com o inquérito clique no link abaixo e caso não consiga o acesso, copie e cole na barra de endereços do seu browser o seguinte endereço:

http://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=3b_2bD3oQYhC2Qqh62gbo8Uw_3d_3d

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Muito obrigado pela sua participação.
Atenciosamente,

Comité Coordenador do Estudo

Jorge Salluh
Coordenador da UTI do Instituto Nacional de Câncer, RJ
Director da Divisão de Pesquisa da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB)
Coordenador da Brazilian Research in Intensive Care Network (BRICnet www.bricnet.org )

Thiago Lisboa
Critical Care Department, Joan XXIII University Hospital, University Rovira & Virgili, Institut Pere Virgili, CIBER Enfermedades Respiratorias, Tarragona, Spain.

Pedro Póvoa
Coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos Médicos, Hospital São Francisco Xavier, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental
Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal.

13 outubro 2008

Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) grave: práticas de estratificação, diagnóstico e tratamento- clique aqui para participar!

Participem deste inquérito internacional sobre “Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) grave: práticas de estratificação, diagnóstico e tratamento”. Este inquérito pretende delinear o panorama atual da percepção da abordagem da PAC grave por médicos intensivistas, internistas, pneumologistas e de outras especialidades clínicas envolvidas no seu tratamento. Este inquérito será aplicado simultaneamente no Brasil, Portugal e Espanha e conta com o apoio de sociedades e organizações médicas locais.
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Ele é composto de três secções abordando diagnóstico, estratificação e tratamento. O preenchimento demora cerca de 10 minutos e as instruções estão na página inicial.
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Ajude-nos a divulgá-lo. Quanto mais profissionais participarem, maior será a sua representatividade e melhor será a nossa capacidade de desenhar estudos futuros sobre estes temas que estejam de acordo com a realidade e as necessidades dos doentes com PAC grave.
Para ter acesso ao site com o inquérito clique no link abaixo e caso não consiga o acesso, copie e cole na barra de endereços do seu browser o seguinte endereço:

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Muito obrigado pela sua participação.
Atenciosamente,

Comité Coordenador do Estudo

Jorge Salluh
Coordenador da UTI do Instituto Nacional de Câncer, RJ
Director da Divisão de Pesquisa da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB)
Coordenador da Brazilian Research in Intensive Care Network (BRICnet www.bricnet.org )
Thiago Lisboa
Critical Care Department, Joan XXIII University Hospital, University Rovira & Virgili, Institut Pere Virgili, CIBER Enfermedades Respiratorias, Tarragona, Spain.
Pedro Póvoa
Coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos Médicos, Hospital São Francisco Xavier, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental
Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal.

01 setembro 2008

Surviving Sepsis Campaign - opinião de JL Vincent e JC Marshall

Jean-Louis Vincent e John C Marshall, "Surviving sepsis: a guide to the guidelines". Crit Care 2008; 12(4):162.

Os autores comentam sobre o novo guideline sobre sepse, publicado em 2008. Inicialmente eles comentam sobre o processo de formação do guideline, que inicialmente em 2001 contava apenas com 1 organização (International Sepsis Forum) e passou a 3 em 2004 e 16 organizações em 2008, com um total de 9, 24 e 55 participantes, respectivamente. E imagino como deve ser difícil alinhar a opinião de tantos experts no campo, onde existem tantas controvérsias.
A formação do guideline depende da quantidade e qualidade de evidências da literatura. Por exemplo, certos acertos foram feitos ao meu ver. Antibioticoterapia nunca vai ser testada contra placebo em estudo clínico para sepse; logo é suficiente a opinião de experts (até nós mesmos). No entanto, corticoterapia e uso de proteína C ativada foram rebaixados de 2004 para 2008 como medidas de recomendação mais fraca.
Como Vincent e Marshall afirmam, guidelines não são regras. Não há prerrogativa que as recomendações devam ser seguidas para todos os pacientes: é importante individualizar o tratamento, sempre que possível. E também não dá ponto final a alguma evidência: novas pesquisas podem e devem ser realizadas, a fim de provar ou negar a acurácia de medidas diagnósticas ou terapêuticas.
Em relação à metodologia, uma recomendação forte contou sempre com 80% de aprovação dos participantes. Eles relatam a presença constante da transparência nas resoluções e que a indústria não participou nas decisões. Aí vem uma resposta ao artigo de opinião de Eichacker et al (Surviving sepsis – practice guidelines, marketing campaigns, and Eli Lilly. N Engl J Med 2006) sobre a possível influência do patrocínio da indústria na recomendação de proteína C ativada. A recomendação desceu de forte a fraca nesta versão do guideline.
Nem todos os participantes concordaram com o guideline. A Sociedade Australiana e Neozelandeza não o aprovou, dizendo que não representa a realidade da Oceania. De maneira interessante, esta sociedade se preocupa com a possibilidade de que certas recomendações possam ser tomadas como processos necessários para aquisição de qualidade dos serviços, ao invés de concordância com algumas práticas mundiais (que podem não ser benéficas no mundo inteiro). Por exemplo, estudo realizado na Austrália mostrou que poucos pacientes se enquadrariam na prática do "early-goal directed therapy", portanto de pouca utilidade naquele país.
Concluindo, a SSC foi feita para ajudar profissionais (principalmente não-especialistas) a organizarem o cuidado ao paciente séptico; não são regras ou mandamentos para serem seguidos "a ferro e fogo". O certo parece a adaptação deste em cada hospital e/ou UTI.

André

22 julho 2008

A APOPTOSE CONTRIBUI PARA A CARDIOMIOPATIA SÉPTICA - PAPEL PROTETOR DA SIMVASTATINA

Buerke et al.

Shock 2008; 29:497-503

A cardiomiopatia séptica é uma complicação bem definida da sepse grave e choque séptico cujo mecanismo ainda não é bem conhecido. Diversos trabalhos tem demonstrado que a apoptose do cardiomiócito desempenha um papel importante na fisiopatologia da disfunção miocárdica e que a inibição da apoptose do cardiomiócito teria papel protetor. Buerke et al estudaram corações isolados de ratos expostos à toxina bacteriana dividos em 2 grupos e observaram que os corações pré-tratados com simvastatina apresentaram menos necrose e apoptose do que os corações não pré-tratados. Os autores segerem que as estatinas apresentem atividade anti-apoptótica e que podem ter um papel protetor importante no coração de pacientes com sepse grave e choque séptico.

Flávio E. Nácul

11 julho 2008

Variabilidade Controle Glicêmico em Pacientes com Sepse

Ali NA, O'Brian Jr. JM, Dingan K, et al.

Glucose variability and mortality in patients with sepsis.

Crit Care Med; 2008: (published ahead of print)

A hiperglicemia tem se mostrado, em diversos trabalhos, um fator de risco independente para mortalidade em uma miríade de pacientes, incluindo pacientes coronarianos agudos, cirúrgicos de alto risco, sépticos e neurocríticos. O controle glicêmico estrito, por outro lado, embora bastante bem sucedido em pacientes cirúrgicos (principalmente após revascularização miocárdica) e pacientes coronarianos agudos, tem sido criticado principalmente por seu potencial de induzir hipoglicemia, estando este último fator também associado a maior mortalidade.
Outros marcadores de controle glicêmico (além da glicemia média) vem sendo estudados como marcadores de mau prognóstico no paciente crítico - entre eles, a variabilidade da glicemia. Enquanto a variabilidade está associada a pior prognóstico nos pacientes diabéticos ambulatoriais, sendo recentemente proposto como índice gold-standard para o controle glicêmico, seu papel ainda não está bem definido em pacientes gravemente enfermos.
Neste estudo realizado em 1246 pacientes sépticos, os autores reportam que a variabilidade da glicemia é um fator de risco independentemente associado a mortalidade, mesmo quando a glicemia média se mantém em níveis adequados.
Estudos in vitro já demonstraram que grandes oscilações da glicemia podem induzir lesão endotelial e apoptose. Resta, ainda, testar em estudos prospectivos e randomizados se a redução da variabilidade glicêmica, em adição ao controle glicêmico estrito, pode diminuir a mortalidade nos pacientes críticos.

Cássia Righy

06 julho 2008

Corticosteróides em pneumonia adquirida na comunidade - Clique no link para a versao integral do artigo!

Aproveitando o post (enquete) do mês, segue um artigo recém-publicado na Critical Care (em junho 2008) onde abordamos o tema.

Nos parece, a despeito dos guidelines uma área de intensa controvérsia onde novas evidências são bemvindas antes de uma ampla recomendação para o uso de corticosteróides.

Jorge Salluh


The role of corticosteroids in severe community-acquired pneumonia: a systematic review
Jorge IF Salluh1,, Pedro Póvoa, Márcio Soares , Hugo C Castro-Faria-Neto, Fernando A Bozza and Patrícia T Bozza


Introduction

The purpose of this review was to evaluate the impact of corticosteroids on the outcomes of patients with severe community-acquired pneumonia (CAP).

Methods

We performed a systematic MEDLINE, Cochrane database, and CINAHL search (1966 to November 2007) to identify full-text publications that evaluated the use of corticosteroids in CAP.

Results

An initial literature search yielded 109 articles, and 105 studies were excluded after the first analysis. We found four studies eligible for analysis. On the basis of their results, the use of corticosteroids as adjunctive therapy in severe CAP should be categorized as a weak recommendation (two studies) and a strong recommendation (two studies) with either low- or moderate-quality evidence. However, no evidence of adverse outcomes or harm is present in the evaluated studies.

Conclusion

According to the GRADE system, available studies do not support the recommendation of corticosteroids as a standard of care for patients with severe CAP. Further randomized controlled trials with this aim should enroll a larger number of severely ill patients. However, in patients needing corticosteroids, it may be reasonable to conclude that corticosteroid administration is safe in patients with severe infections receiving antimicrobial therapy.

05 julho 2008

Surviving Sepsis Campaign

Jean-Louis Vincent, John C Marshall
Critical Care 2008, 12:162 (30 June 2008)

A Surviving Sepsis Campaign, desde a sua primeira edição publicada em 2001, tem sofrido inúmeras críticas - desde a sistematização da evidência, o foco da campanha (entrado no tratamento e não na prevenção) até a qualidade das recomendações geradas, baseadas em estudos que vem sendo bastante questionados nos últimos anos.

Neste comentário escrito pelo Dr. Jean-Louis Vincent e pelo Dr. John Marshall, tenta-se promover a reabillitação da Surviving Sepsis frente a essas críticas. Os autores argumentam que a campanha nasceu do reconhecimento de três falahs no tratamento do paciente séptico: 1) Sepse não era (e ainda não é) adequadamente reconhecida; 2) Quando reconhecida, a urgência de seu tratamento não é identificada e 3) Quando reconhecida e tratada, o tratamento freqüentemente é subótimo. Dessa forma, a sepse continua sendo uma das maiores causas de mortalidade no mundo. 

Os autores descrevem a evolução da Surviving Sepsis Campaign ao longo dos anos e argumentam que, embora imperfeito, o guideline representa a melhor síntese do conhecimento disponível até o momento e, portanto, deve ser promovido para auxiliar no tratamento desta síndrome de alta prevalência e mortalidade.

A Surviving Sepsis Campaign vem se atualizando ao longo dos anos, a medida que maior quantidade de conhecimento clínico vindo de estudos randomizados tem sido disponibilizada. Ela tem o grande mérito de chamar a atenção das instituições e da classe médica para o problema da sepse grave e do choque séptico e de estabelecer uma proposta de melhora de qualidade no atendimento a essa síndrome. Apesar de seus problemas e controvérsias, é uma iniciativa interessante, que vem se submetendo ao aprimoramento ao longo do tempo.

Cássia Righy

01 junho 2008

COMENTÁRIO SOBRE A ENQUETE DE ABRIL – TRANSFUSÃO DE CONCENTRADO DE HEMÁCIAS

Quase 60 anos depois que os anestesistas americanos JS Lundy e RC Adams estabeleceram o limiar de 10 g/dL para a transusão de concentrados de hemácias (CH), o estudo canadense TRIC trial publicado em 1999 sugeriu que este limiar fosse reduzido para 7 g/dL, exceto em pacientes com insuficiência coronariana aguda. A partir deste trabalho, os novos guidelines, incluindo o Surviving Sepsis Campaign (SSC), definiram que em pacientes que não estivessem sangrando ativamente, ou apresentassem insufuciência coronariana aguda ou sinas de hipoperfusão tecidual, o limiar seria 7 g/dL. Poucos anos depois, os estudos ABC trial na Europa e CRIT trial nos EUA mostraram, que na prática, europeus e americanos estavam utilizando o limiar 8,4 g/dL e 8,6 g/dL para transfundir CH nos seus pacientes, números intermediários entre o antigo limiar, estabelecido por Lundry e Adams, e o novo limiar, sugerido pelo estudo canadense. Mais recentemente, vários autores têm sugerido que cada paciente deva ser tratado individualmente e recomendam que os médicos utilizem um parâmetro fisiológico no lugar de um limiar arbitrário para transfusão de CH. Assim, os profissionais utilizariam os parâmetros fisiológicos para avaliar a perfusão tecidual que incluiria, além dos tradicionais pressão arterial, diurese e nível de consciência, parâmetros mais modernos como a concentração de lactato e a SVO2 e até os mais sofisticados, análise da microcirculação e saturação tecidual de O2. Recentemente, a Sociedade Francesa de Terapia Intensiva e algumas universidades americanas contemplaram esta idéia e elaboraram novos guidelines para a transfusão de CH estratificando os pacientes em diferentes grupos segundo o seus riscos de hipoperfusão tecidual. Assim, por exemplo, segundo o guideline da Sociedade Francesa, nos pacientes com idade superior a 65 anos, o limiar seria 8 g/dL enquanto que no guideline da Universidade de Stanford, nos pacientes com história de AVC isquêmico há menos de 6 meses, o limiar seria 10 g/dL. A nossa enquete perguntou qual o limiar que você utilizaria numa paciente de 80 anos com história de AVC isquêmico recente e que internou no CTI com uma pneumonia comunitária grave. Como o enunciado não informou sobre os parâmetros fisiológicos, assumimos que eles estariam dentro da normalidade. As alternativas apresentadas foram concentrações de hemoglobina de 7 g/dL, 8 g/dL, 9 g/dL e 10 g/dL. A melhor alternativa depende do guideline que você escolheu. Se considerarmos o trabalho canadense e o SSC, a resposta correta seria 7 g/dL. Segundo a Sociedade Francesa, a melhor opção seria 8 g/dL. De acordo com a Universidade de Stanford, a melhor resposta seria 10 g/dL. Na realidade, a grande maioria dos votos foram distribuídos quase que igualmente entre as alternativas 7,8 e 10 g/dL. Provavelmente estão todos certos. Aguardamos o seu comentário aqui no blog para prosseguirmos com esta discussão.

Flávio E. Nácul

20 abril 2008

Pesquisa Nacional de Sedação e Delirium em UTI: Clique nesse título para participar!

Prezado Colega,

Em uma parceria com a AMIB - Associação de Medicina Intensiva Brasileira, através do Fundo AMIB, a BRICNet está realizando um survey nacional sobre delirium e práticas de sedação e analgesia em UTI.

Recentemente, tem se dado maior importância no impacto do delirium na morbi-mortalidade do paciente criticamente enfermo. Em paralelo, as recomendações para a sedação de pacientes críticos sofreram grandes modificações nos últimos anos com o surgimento de conceitos novos tais como “interrupção diária”, “sedação guiada por metas”, “sedação baseada em analgesia”, além do surgimento de novos fármacos. Portanto, consideramos extremamente oportuno traçar um panorama das práticas de sedação e da visão e relevância de delirium por profissionais que atuam em medicina intensiva no Brasil.

O survey já está disponibilizado por via eletrônica na internet e é totalmente anônimo, de modo a não permitir a sua identificação. Ele é composto de três seções e você levará cerca de 10-15 minutos para respondê-lo. As instruções para o seu preenchimento são dadas na página inicial.

O survey ficará disponível para participação até o dia 31 de maio. Para participar, clique AQUI.

Caso não consiga o acesso, copie e cole na barra de endereços do seu browser o seguinte endereço:
http://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=wrGRDlhVMszbrRtrsomI_2fw_3d_3d

Ajude-nos a divulgá-lo. Quanto mais profissionais participarem, maior será a sua representatividade e melhor será a nossa capacidade de desenhar estudos futuros sobre estes temas que estejam de acordo com a realidade e as necessidades dos pacientes cuidados em UTIs brasileiras.

Muito obrigado pela sua participação.

Atenciosamente,

Comitê Coordenador
BRICNet – Brazilian Research in Intensive Care Network

27 março 2008

Simpósio de Atualização em Medicina Intensiva-2008

II Simpósio de Atualização em Medicina Intensiva
Lançamento do Volume 5 do livro "Atualização em Medicina Intensiva - Artigos Comentados"

Sábado, 26 de abril de 2008
Auditório do Hospital Copa D´Or


MÓDULO 1:NEUROLOGIA
Moderação: Gabriel Freitas
09:00 Delirium - Abordagem diagnóstica e terapêutica: Rodrigo Serafim
09:30 Uso de Soluções Hipertônicas no Tratamento do Edema Cerebral: Cássia Righy
10:00 Atualização no Tratamento do AVE isquêmico Maligno: Bernardo Liberato

10:30 - 11:15 Intervalo
MÓDULO 2: SEPSE
Moderação: Juan Carlos Verdeal
11:15 Corticoterapia na Sepse: Jorge Salluh
11:45 Atulização em Colóides e Cristalóides: Flávio Nácul
12:15 Tratamento do Choque Séptico Guiado por Metas: JR Rocco

12:45 - 14:00 ALMOÇO
MÓDULO 3: ESTADO DA ARTE
Moderação: José Eduardo Couto e Castro
14:00 Qualidade de vida após internação em UTI: Márcio Soares
14:30 Uso de protocolos e segurança no UTI: André Japiassú
15:00 SARA Pulmonar e Extrapulmonar:existem diferenças?: Patrícia Rocco

15:30 Encerramento

01 março 2008

EVENTOS do SEMESTRE

1) 4th WORLD CONGRESS ON ULTRASOUND IN EMERGENCY AND CRITICAL CARE MEDICINE, 5 a 8 de março de 2008 em Porto Alegre - RS

2) INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON EMERGENCY AND INTENSIVE CARE MEDICINE, 18 a 21 de março, Bruxelas, Bélgica- www.intensive.org

3) SEGUNDO SIMPÓSIO DE ATUALIZAÇÃO EM MEDICINA INTENSIVA, 5 de abril, Rio de Janeiro, RJ - artigoscoemntados@blogspot.com

4) 10 th INTERNATIONAL CONSENSUS CONFERENCE ON INTENSIVE CARE MEDICINE - ADRENAL INSUFFICIENCY, 17 a 18 de abril, Florença, Itália- www.esicm.org

5) XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE TERAPIA INTENSIVA, 6 a 10 de maio, Salvador - BA - www.cbmi2008.com.br

Transfusão de hemácias na UTI: após 20 anos

  Título: Red Blood Cell Transfusion in the Intensive Care Unit. Autores: Raasveld SJ, Bruin S, Reuland MC, et al for the InPUT Study Group....