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09 julho 2016

Série Choosing Wisely 3: Hospitalistas

"Choosing Wisely in Adult Hspital Medicine: Five opportunities for improved healthcare value". Bulger J, Nickel W, Messler J, Goldstein J, O´Callaghan J, Auron M, Gulati M. J Hosp Med 2013;8:486-92.

Especialistas da "American Board of Internal Medicine Foundation" (ABIM-F) se reuniram para escolher os 5 pontos mais relevantes para pacientes internados em hospitais. Estas recomendações servem para pacientes clínicos e cirúrgicos. Os especialistas são representantes de 9 sociedades de diversas especialidades, que atuam com frequência no ambiente hospitalar.

1. Não mantenha cateter vesical para incontinência ou conveniência do paciente que não é grave - a monitoração do débito urinário é aceitável para choque, insuficiência renal aguda ou cirurgia urológica por ~ 2 dias. Se for necessário monitorar o balanço hídrico, prefira pesar o paciente diariamente.

2. Evite medicações para profilaxia de estresse gástrico, exceto pacientes com hemorragia digestiva, doença péptica, pacientes com choque, ventilação mecânica ou discrasia sanguínea.

3. Evite transfusão de hemácias com limiares pré-determinados, principalmente na ausência de sinais ou sintomas de anemia ou em pacientes com AVE agudo, insuficiência cardíaca ou síndrome coronariana aguda.

4. Não use telemetria para monitoração de pacientes fora de UTI, a não ser que haja protocolos específicos para alertas.

5. Se o paciente estiver estável no quadro clínico, não está indicada a coleta repetitiva (de rotina) de exames laboratoriais - hemograma e bioquímica.

André Japiassú

02 julho 2016

Série Choosing Wisely 2: Medicina Intensiva (menos é mais)

Choosing wisely in critical care: maximizing value in the ICU.
Angus DC, Deutschman CS, Hall JB, Wilson KC, Munro CL, Hill NS. Chest 2014; 146: 1142-4.

Endossada pelas Associações American Association of Crit Care Nurses, American College of Chest Physicians, American Thoracic Society e Society of Critical Care Medicine, a campanha "Choosing Wisely" escolheu 5 ideias para implementar na Medicina Intensiva:

- Antes de tudo, as estratégias devem apresentar evidências científicas consistentes, prevalência significativa na população de pacientes nas UTIs, relevância de racionalização de custos, relevância para pacientes e profissionais da saúde e inovação.

1. Não pedir exames complementares em intervalos regulares, mas sim de acordo com demandas clínicas claras: aquela rotina de exames para o dia seguinte deve ser mais racional, e eventualmente desaparecer.

2. Não transfundir pacientes com hemodinâmica estável e sem sangramento, com níveis de hemoglobina acima de 7 g/dl. Já sabemos que muitas transfusões somente são orientadas por exames sanguíneos e podem acarretar eventos adversos como hipervolemia e reações transfusionais.

3. Não usar nutrição parenteral em pacientes bem nutridos, nos primeiros 7 dias de doença crítica. A hiperalimentação pode ter sérios riscos aos pacientes graves, com aumento da morbi-mortalidade.

4. Não faça sedação excessiva nos pacientes em ventilação mecânica, com exceção de pacientes com hipertensão intracraniana, status epilepticus e SARA grave (relação PaO2/FiO2 menor que 100). Interrupções diárias da sedação devem ser feitas, permitem o desmame de ventilação e abreviam o tempo de VM, podendo até reduzir mortalidade.

5. Não se esqueça de prover conforto na manutenção da vida de pacientes com alto risco de morte por doenças crônicas ou com capacidade funcional precária. Frequentemente pacientes que morrem na UTI estão usando altas tecnologias, mas sentem dor e desconfortos inaceitavelmente.

André Japiassú

Transfusão de hemácias na UTI: após 20 anos

  Título: Red Blood Cell Transfusion in the Intensive Care Unit. Autores: Raasveld SJ, Bruin S, Reuland MC, et al for the InPUT Study Group....