Adhikari NK, Fowler RA, Bhagwanjee S, Rubenfeld GD. "Critical care and the global burden of critical illness in adults". Lancet 2010;Published Online October 9, 2010; DOI:10.1016/S0140-6736(10)60446-1
A Medicina Intensiva surgiu durante a epidemia de poliomielite na década de 1950, na Europa. Suporte ventilatório para os pacientes em insuficiência respiratória era reunido em um único ambiente, com o esforço de médicos e enfermeiros para manter a vida destes pacientes. Após 60 anos, o conceito de Medicina Intensiva mudou. Hoje, não importa o lugar ou setor de que se fala, mas sim da gravidade do paciente, com doenças graves e complexas, comorbidades significativas e disfunções orgânicas sérias, tornando o manuseio difícil sem a orientação do intensivista. Além deste tipo de paciente com disfunções orgânicas, pós-operatórios e doentes que necessitam cuidados paliativos podem ser internados em unidades fechadas também, e se beneficiam potencialmente dos cuidados de profissionais de Medicina Intensiva.
Discute-se hoje a organização dos cuidados a pacientes graves em hospitais e até redes de saúde, privadas e públicas. Foram criadas unidades semi-intensivas e outras unidades específicas, como coranariana e neurointensiva. O número de leitos e unidades necessários para atender a necessidade da população pode depender da complexidade do atendimento, da área coberta por um hospital ou uma rede e do financiamento que se dispõe para organizar cuidados terciários de saúde. Portanto, é difícil estimar o número certo de vagas de leitos para Terapia Intensiva, se não analisarmos tudo isto.
Os autores deste artigo estimaram o "burden of critical illness", ou seja, o número de pacientes graves e a mortalidade por uma doença aguda grave, em diferentes partes do Globo. Eles tiveram muita dificuldade em definir "critical illness", já que podemos abranger de sepse grave a IAM, ou acidente ofídico complicado e síndrome de veia cava superior. Os estudos analisados pelos autores incluíram os termos: "sepsis, nosocomial infection, mechanical ventilation, end-of-life care". Dados americanos estimam que ocorrem 300 casos de sepse grave por 100.000 cidadãos americanos/ano. Esta taxa pode ser muito maior em países pobres, onde as condições sanitárias são piores e ocorrem doenças como dengue, cólera, leptospirose e malária. Na África, ainda existe a possibilidade de um número estrondosamente maior de sepses graves, já que a população com HIV/SIDA (predisposta a infecções graves) é muito maior que outras partes do mundo.
Outro ponto salientado são as sequelas após o tratamento de doenças graves ("critical illness"). Falta de mobilidade, fraqueza neuromuscular, disfunção respiratória e neurológica e prejuízos financeiros são comuns, e podem tornar a internação mais prolongada, aumentando a necessidade de vagas em UTIs e hospitais.
A população mundial está envelhecendo e os idosos estão mais predispostos a doenças agudas graves ou a agudização de doenças crônicas debilitantes. Em aproximadamente 20 anos, haverá crescimento de mais de 330.000 casos de lesão pulmonar aguda nos Estados Unidos, principalmente em idosos com infecções respiratórias. Isto torna alarmante a falta de leitos e profissionais capazes de tratar esta população de maneira eficaz.
Números:
Estados Unidos - 5980 UTIs; 9 leitos de UTI/100 leitos de hospital; 20 leitos de UTI por 100.000 habitantes
Canadá (logo ao lado!) - 319 UTIs; 3,4 leitos de UTI/100 leitos de hospital; 13,5 leitos de UTI por 100.000 habitantes
França - 550 UTIs; 2,5 leitos de UTI/100 leitos de hospital; 9,3 leitos de UTI por 100.000 habitantes
Reino Unido - 268 UTIs; 1,2 leitos de UTI/100 leitos de hospital; 3,5 leitos de UTI por 100.000 habitantes
Austrália - 160 UTIs; ? leitos de UTI/100 leitos de hospital; 8 leitos de UTI por 100.000 habitantes
China - ? UTIs; 1,8 leitos de UTI/100 leitos de hospital; 3,9 leitos de UTI por 100.000 habitantes
Colômbia (única entre sulamericanos no estudo) - 89 UTIs; 3,5 leitos de UTI/100 leitos de hospital; ? leitos de UTI por 100.000 habitantes
Sabe-se que a mortalidade, e talvez a complexidade, de pacientes com sepse nos Estados Unidos e na Austrália são muito menores que na Ásia e em países europeus. A existência destas taxas de leitos de UTI por leitos de hospital e por 100.000 habitantes é muito relativa, dependendo da cada país.
No Brasil, a AMIB tinha cadastrado cerca de 700 UTIs em 1997, 1400 em 2004 e mais de 2000 unidades em 2009. São cadastrados 25.367 leitos, com 54% na região Sudeste (AMIB - http://www.amib.org.br/noticias.asp?cod_site=0&id_noticia=819). Está em torno de 2 a 3 leitos de UTI por 100.00 habitantes a taxa de oferta de vagas, porém sabe-se pouco a respeito da gravidade e do tempo de permanência dos pacientes nas UTIs.
Conclui-se que precisamos saber mais detalhes da demanda de vagas de UTIs, e principalmente as características dos pacientes internados, preferencialmente de modo regional, para daí saber a real necessidade de leitos e profissionais de Medicina Intensiva a serem empregados.
André Japiassú
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23 novembro 2010
08 julho 2008
ANOTE: FATOR IMPACTO DAS REVISTAS MÉDICAS
O fator impacto (FI) das revistas médicas e de ciências biológicas foi criado pelo biblioteconomista americano Eugene Garfield com o objetivo de classificar as revistas segundo o impacto de suas publicações. O cálculo do FI é baseado no número de vezes que um artigo publicado em uma revista é citado na literatura. Assim, o FI de uma revista no ano de 2006 seria calculado com base em : a) número de artigos publicados em 2004 e 2005 que foram citados em 2006, b) número total de artigos publicados em 2004 e 2005. FI = A/B. Por exemplo, se uma revista publicou 500 artigos nos anos de 2000 e 2001 e eles foram citados 1000 vezes em 2002, o FI em 2002 foi 1000/500 = 2. A grande maioria das revistas tem FI abaixo de 1. A CAPES classifica como sendo de alta qualidade as revistas com FI > 1. A seguir, alguns exemplos de FI do ano de 2006.
N Engl J Med 44
Lancet 23
Am J Resp Crit Care Med 8.6
Crit Care Med 5
Intensive Care Med 3.7
Crit Care 2.9
Flávio E. Nácul
N Engl J Med 44
Lancet 23
Am J Resp Crit Care Med 8.6
Crit Care Med 5
Intensive Care Med 3.7
Crit Care 2.9
Flávio E. Nácul
05 julho 2008
Sites Interessantes em Terapia Intensiva
Toronto Centre for Evidence-Based Medicine: http://www.cebm.utoronto.ca/
Este site é mantido pelo University Health Network da Universidade de Toronto, Canadá e oferece várias informações para aqueles interessados em aprender e ensinar medicina baseada em evidências. Site excelente, muito útil e informativo.
Oxford Centre for Evidence Based Medicine: http://www.cebm.net/index.asp
Senão for o melhor, certamente é um dos melhores sites em MBE encontrados na net. Oferece grande quantidade de material para download.
Acid-Base Tutorial from Tulane University Department of Anesthesiology: http://www.acid-base.com/index.php
Esse site é para todos que, como eu, tem dificuldade de entender os mecanismos do equilíbrio ácido-básico. Explica, com o uso de vários recursos gráficos, conceitos complexos de forma simples.
Interactive Statistics Pages, John C. Pezzullo’s Home Page: http://statpages.org
Este site provê links para diversos outros sites de estatística, tem grande quantidade de material, incluindo programas de análise estatística, para download. Muito bem escrito e organizado.
SumSearch: http://sumsearch.uthscsa.edu/
Realiza pesquisa bibliográfica em diversas bases simultaneamente além de fazer uma análise em tempo real da estratégia de procura. Muito útil e altamente recomendado.
BestBets: http://www.bestbets.org/
Mantido pelo departamento de emergência da Manchester Royal Infirmary, este site apresenta respostas realizadas no modelo de MBE para perguntas clínicas bem definidas comumente encontradas nos departamentos de emergência. Bastante interessante e vale a pena dar uma olhada.
Bioética: http://www.ufrgs.br/bioetica/bioetica.htm
Este site, mantido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, certamente é um dos melhores locais para o aprendizado da bioética. Abordando diversas situações, como aspectos práticos da bioética (testemunhas de Jeová, transplante de órgãos, confidencialidade), ética aplicada a pesquisa em animais e em seres humanos e situações atuais, como ética na pesquisa com células-tronco, este site é parada obrigatória para todos os que se interessam pelo assunto.
Cássia Righy
22 junho 2008
Eventos Adversos e Prognóstico na Terapia Intensiva
Dentre os vários aspectos relacionados a segurança do paciente, a prevenção de efeitos adversos (EA) dentro do ambiente de terapia intensiva tem sido alvo de vários estudos recentes. Neste estudo francês que avaliou 3611 pacientes em 12 UTIs, os autores relatam que 39,2% dos pacientes apresentaram pelo menos 1 EA e que o número médio de EA por paciente era de 2,8. Seis EAs foram associados a morte: infecção relacionada ao cateter, bacteremia por outras causas, pneumonia, infecção profunda e/ou de sítio cirúrgico, pneumotórax e sangramento de trato gastrintestinal.
Os achados desse estudo enfatizam ainda mais a necessidade de se criar uma cultura de prevenção dentro de nossas UTIs e tornar a nossa prática diária mais segura para os nossos pacientes.
Cássia Righy
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É vasodilatador na circulação sistêmica e vasoconstritor na circulação pulmonar. Flavio E. Nácul