20 maio 2009

FATORES DE RISCO PARA DELIRIUM - O QUE PODEMOS MUDAR?

Risk factors for delirium in  intensive care patients: a prospective cohort study.
Van Rompaey B, Elseviers MM, Schuurmans MJ, Shortridge-Baggett LM, Truijen S, Bossaert L. Critical Care.  2009; 13: R17.

Delirium tem sido uma entidade cada vez mais estudada nos últimos anos, já tendo sido descrita a sua contribuição para a permanência em ventilação mecânica e mortalidade nos pacientes críticos. Esse estudo pretende delinear os fatores de risco para o desenvolvimento de delirium no CTI. Os autores acharam que a incidência de delirium foi de 30%. Idade, interessantemente, não foi um fator de risco. Entre os fatores não modificáveis que predispunham ao desenvolvimento de delirium, estavam: Tabagismo, etilismo, viver só em casa, gravidade da doença, déficit cognitivo prévio e coma. Entre os fatores possivelmente ou potencialmente modificáveis, foi encontrado: Uso de ventilação mecânica, uso de drenos, cateteres e tubos, uso de medicação psicoativa e sedação prévia. Fatores relacionados ao ambiente também foram bastante importantes, como: isolamento, ausência de visita, ausência de visibilidade da luz do dia, transferência de outra enfermaria e uso de contenção física.

Cássia Righy

17 maio 2009

PEROXINITRITO INATIVA A NORADRENALINA

Takakura K et al: Anesthesiology 2003; 98:928-34

Takakura e colaboradores estudaram ratos portadores de choque séptico e observaram que os animais tratados com peroxinitrito eram hiporesponsivos à noradrenalina. Fenômeno semelhante foi descrito pelo mesmo grupo em relação à dopamina. Os autores concluem que o aumento da formação do peroxinitrito que ocorre na sepse pode explicar em parte a hipotensão refratária de alguns pacientes.


Flávio E. Nácul

REVISÃO DE CIÊNCIA BÁSICA: PEROXINITRITO

O peroxinitrito é produzido a partir do óxido nítrico. Na sepse ocorre um aumento da produção de óxido nítrico e consequentemente uma elevação na formação de peroxinitrito. O peroxinitrito provoca redução da migração dos neutrófilos, disfunção mitocondrial e diminuição da contratilidade da musculatura lisa vascular com consequente hipotensão refratária. Um melhor entendimento dos mecanismos de formação do peroxinitrito bem como do seu mecanismo de ação podem beneficiar os pacientes com sepse.

Flávio E. Nácul

15 maio 2009

Como elaborar resumos de Temas Livres para Congressos

Com a proximidade das datas limites para envio de Temas Livres de alguns Congressos (21 de junho - SOTIERJ Rio de Janeiro 2009 - e 30 de julho - CBMI São Paulo 2009), aqui vão algumas dicas para elaboração de Temas Livres de Trabalhos Científicos, para apresentação em Congressos:

1. tenha certeza que vai ao Congresso; a ausência de apresentadores de um trabalho na chamada durante o Congresso é constrangedor e pode marcar o grupo para Congressos futuros (exemplo: Congresso Europeu de Medicina Intensiva)

2. agregar, sem sobrecarregar demais, todo o tipo de informação nova, mas relevante do trabalho

3. proporcionar ao avaliador informações suficientes que lhes permitam julgar se é  conveniente aprovar o Tema Livre

4. preste atenção ao limite de palavras ou caracteres imposto para inscrição do Tema; deve-se evitar o excesso de artigos, advérbios e adjetivos

5. incluir de forma sucinta os resultados, indo direto ao ponto em relação à ideia que se quer passar ao leitor

6. escreva o resumo na 3a pessoa ou sujeito indeterminado; evite o uso da 1a pessoas do singular ou plural

7. cuidado com abreviaturas ou símbolos, exceto aqueles com uso generalizado; se usar, escreva por extenso na primeira aparição no resumo

8. a introdução deve ir direto à dúvida ou contexto do Tema Livre na literatura existente

9. métodos: não é necessário se alongar em relação a todos os dados analisados ou análise estatística detalhada; lembre-se de citar ONDE (foi realizado o trabalho), QUANDO (período de desenvolvimento do trabalho), QUEM (pacientes - inclusão e exclusão) e COMO (o que foi observado ou usado nos sujeitos do trabalho)

10. resultados: é o principal para convencer da qualidade do trabalho; descreva rapidamente as características da população e em seguida os resultados da análise realizada, sem discutir sobre eles (não há espaço para comparações com outros trabalhos semelhantes da literatura)

11. figuras (1 ou 2 no máximo) são benvindas se explicam os resultados melhor que frases (bom para comparações de vários grupos avaliados e/ou trabalhos experimentais); neste caso, evite repetir estes resultados da figura no corpo do resumo

12. a conclusão deve ter 1 frase apenas, para que o leitor veja imediatamente a ideia a ser passada; preste atenção para que a conlcusão responda o(s) objetivo(s) do trabalho

13. evitar referências e tabelas extensas


André

09 maio 2009

PRÁTICA CLÍNICA: REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR CEREBRAL II

A atropina deve ser utilizada na reanimação cardiopulmonar cerebral em duas situações: a) Assistolia; b) Atividade elétrica sem pulso com frequência inferior a 60 bpm (AESP bradicárdica). A dose recomendada nas duas situações é de 1 mg IV intercalados com a administração de adrenalina, sendo que a dose máxima é de 3 mg.

Flávio E. Nácul

PRÁTICA CLÍNICA: REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR CEREBRAL I

A relação entre compressão torácica e ventilação durante a reanimação cardiopulmonar cerebral em pacientes não intubados deve ser 30 para 2. Em pacientes intubados, recomenda-se realizar compressões torácicas em uma frequencia de 100 por minuto e ventilações numa frequência de 8 a 10 por minuto.

Flávio E. Nácul

REVISÃO DE CIÊNCIA BÁSICA: RECEPTORES TOLL-LIKE

Receptores Toll-like são receptores localizados na membrana celular que possuem a capacidade de identicar os PAMPs. Os PAMPs são moléculas associados à patógenos cujo principal exemplo é o lipopolissacarídeo que está associado aos agentes Gram negativos. A interação entre os receptores Toll-like e um dos PAMPs dá inicio a resposta inflamatória.

Flávio E. Nácul

REVISÃO EM CIÊNCIA BÁSICA: PAMPS

PAMPs (Pathogen-associated molecular patterns) são moléculas existentes em bactérias e virus que estimulam a resposta inflamatória após serem identificadas como non-self pelos receptores toll-loke. O grupo de PAMPs inclui o lipopolissacarídeo das bactérias Gram negativas e a flagelina e ácido lipoteicóico das bactéria Gram positivas.

Flávio E. Nácul

08 maio 2009

QUAL O MAIOR HOSPITAL DO MUNDO?

O maior hospital do planeta é o Chris Hani Baragwanath Hospital, localizado em Soweto, na África do Sul, com 3200 leitos

Flávio E. Nácul

07 maio 2009

MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO?

As 10 melhores universidades do mundo em 2009 são:

1) Harvard
2) Yale
3) Cambridge
4) Oxford
5) California Institute of Technology
6) Imperial College London
7) University College London
8) University of Chicago
9) Massachusetts Institute of Technology
10)Columbia University

OBS 1: Seis estão localizadas nos EUA e 4 na Inglaterra

OBS 2: Entre as 100 melhores, 2 são da China e 3 de Hong Kong.

OBS 3: As 5 melhores universidades da América Latina são: 1) Universidade Nacional Autônoma do México, 2)USP, 3) UNICAMP; 4) Universidade do Chile; 5) Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Flávio E. Nácul

QUEM FOI QUEM? OGILVIE

William Olgivie descreveu a pseudo-obstrução aguda do colon. Filho de pais ingleses, nasceu em Valparaíso no Chile em 1887. Estudou medicina e foi cirurgião na Inglaterra. Morreu em 1971.

Flávio E. Nácul

AGENDA

Reserve esta data:

Congresso da American Thoracic Society - ATS 2009

San Diego - California - EUA

De 15 a 20 de maio

Número provável de congressistas: 15 mil

www.thoracic.org/go/international-conference


Flávio E. Nácul

01 maio 2009

Prazer: eu sou o PIRO; mas ainda não sei bem quem sou.

Predisposition, insult/infection, response, and organ dysfunction: A new model for staging severe sepsis.
Francesca Rubulotta, John C. Marshall, Graham Ramsay, David Nelson, Mitchell Levy, Mark Williams.
Crit Care Med 2009; 37:1329-1335.

Depois de 8 anos após a conferência de Washington, onde o sistema PIRO (parecido com TNM para neoplasias) foi imaginado e sugerido, sai um estudo abrangente sobre a estratificação de pacientes com sepse grave.

Com bancos de dados do PROWESS (n=840) e PROGRESS (n=10610), dois estudos multicêntricos e com muitos dados clinico-laboratoriais de pacientes com sepse, os autores realizaram várias análises uni e multivariadas para dar pontuação e estratificação de risco para sepse grave. A correlação final para mortalidade hospitalar foi excelente, muito melhor que escores tradicionais como APACHE e SAPS. As áreas abaixo da curva ROC (sensibilidade/especificidade) foram acima de 0.97 !

Em relação ao P (predisposição), cardiopatia grave e hepatopatia crônica (Child B/C) foram riscos mais importantes para morte por sepse. A idade também foi incluída como fator de risco importante.  O maior risco foi para pacientes acima de 85 anos ou entre 64 e 85 anos com hepatopatia. O "I" - Infecção - atribuiu pesos menores para infecções urinárias e comunitárias, e pesos maiores para infecções nosocomiais, principalmente por bactérias Gram-positivas e fungos. A "R" - Resposta do hospedeiro - é que incluiu apenas taquicardia e taquipnéia, e teve menor peso entre todos os parâmetros. Por fim, "O" - disfunção Orgânica - deu peso considerável para o número de disfunções acumuladas (mais do que 2) e certa atenuação para inclusão de disfunção hepática se houver 3 disfunções presentes.

A resultante da estratificação (demonstrada na tabela anexa) indica que para cada 1 ponto a mais, a razão de risco para morte hospitalar aumenta 1.3 a 1.5 vezes. Cada variável do sistema PIRO parece contribuir de maneira equilibrada para a previsão de morte (30-50% para cada letra). 

Mas o estudo e o sistema ainda está longe do ideal. Não colocar uso de imunossupressores ou corticóide e doenças como SIDA no fator P é falha importante, já que são fatores de risco para infecções graves amplamente estudados. A simples análise dos fatores de SIRS para a resposta  do paciente é muito pouco, e seria interessante ter biomarcadores para melhorar a previsão do fator R. A importância de cada disfunção orgânica ainda é subestimada, ao passo que o número 
de disfunções é mais valorizado. Ao meu ver, apenas o tipo de infecção trouxe clareza na avaliação de risco, e merece valorização no estudo.

De qualquer modo, aí chegou o PIRO - muito prazer. Ele tem nome e sobrenome, mas não formou personalidade e tem pouca vivência, não sabendo bem quem ele realmente é.

André

Transfusão de hemácias na UTI: após 20 anos

  Título: Red Blood Cell Transfusion in the Intensive Care Unit. Autores: Raasveld SJ, Bruin S, Reuland MC, et al for the InPUT Study Group....