domingo, março 13, 2011

Albumina: o retorno

SAFE Study Investigators, Finfer S, McEvoy S, Bellomo R, McArthur C, Myburgh J, Norton R. Impact of albumin compared to saline on organ function and mortality of patients with severe sepsis. Intensive Care Med 2011;37:86-96.

É sabido que o uso de albumina ou salina não altera a mortalidade no paciente grave. Isto se deve ao grande estudo SAFE, realizado em mais de 6000 pacientes e publicado em 2004, na New England Journal of Medicine. O que ocorreu é que este mesmo estudo levantou uma dúvida se havia benefício no subgrupo de pacientes com sepse, que receberam albumina.

O mesmo grupo repetiu o trabalho, com controle da administração de líquidos venosos nos primeiros 7 dias de tratamento, assim como da monitorização de disfunções orgânicas.

Foram pouco mais de 600 pacientes em cada grupo. Após início do tratamento, o grupo albumina teve menor reposição de líquidos nos 3 primeiros dias (média de 500 ml a menos por dia). Os pacientes no grupo controle receberam 43% a mais de líquidos que o grupo intervenção. A PAM, a frequência cardíaca e a pressão venosa central (PVC) foram incrementadas significativamente no grupo albumina: menos taquicardia, maior PAM e maior PVC. A disfunção cardiovascular apresentou tendência a melhora rápida no grupo albumina, principalmente a partir do 3º dia. Ao contrário do que foi questionado na literatura, o uso de albumina não alterou a função renal nos primeiros 7 dias do estudo.

Não houve diferença nos demais desfechos de interesse, como tempo de permanência ou mortalidade. Mas a infusão de albumina apresentou odds ratio de proteção para mortalidade em 28 dias (0,71, ou seja, quase 30% de proteção).

É mais uma discussão que aflora sobre o tema "cristaloide versus coloide". Uma nova meta-análise de fevereiro de 2011 (publicada na Critical Care Medicine) também aponta para algum benefício da albumina no paciente séptico, embora boa parte do peso venha do estudo SAFE (~ 67% dos pacientes em toda a meta-análise).

André Japiassú