segunda-feira, junho 18, 2012

O Réquiem da Proteína C Ativada

Drotrecogin Alfa (Activated) in Adults with Septic Shock. Ranieri VM, Thompson T, Barie PS, Dhainaut JF, Douglas IS, Finfer S, et al. New Engl J Med 2012; online May 22, 2012.

Este é o estudo que provocou a retirada da proteína C ativada do mercado pela Lilly. Neste estudo a proteína C ativada foi usada em pacientes com choque séptico. Ele foi programado depois que o PROWESS de 2001 saiu com a notícia do benefício da droga, reduzindo a mortalidade absoluta em 6%, com pouco mais de 800 pacientes.

No entanto, o PROWESS de 2001 foi interrompido na metade da população a ser concluída. Isto gerou muita controvérsia, já que o benefício foi visto em subgrupo mais grave (APACHE II maior que 25 pontos) e o FDA liberou o uso da droga com empate na votação dos membros do órgão (o que não havia acontecido e teoricamente geraria barreira à liberação da droga).

Foram recrutados mais de 27 mil pacientes, 3545 foram indicados ao centro de pesquisa, 1465 foram excluídos (principalmente porque não havia expectativa de sobrevida de 28 dias ou não havia choque), e incluiu-se 1697 para randomização. Os grupos de intervenção e placebo eram praticamente iguais nas características basais. Não se observou diferença de mortalidade em 28 e 90 dias. Esta falta de efeito se manteve inclusive na análise de subgrupos (segundo APACHE II, disfunções orgânicas e tipo de internação clínica ou cirúrgica).

A recomendação forte de se usar proteína C ativada nas primeiras 24 horas de sepse grave na Campanha de Sobrevivência à Sepse de 2004 caiu de vez (em 2008 foi rebaixada para fraca depois de alguns estudos menores com resultado negativo).

André Japiassú