terça-feira, julho 10, 2007

4th ISICEM for Latin America - Parte 1

Finalmente, os comentários do 4th ISICEM for Latin America, organizado pelo H. Albert Einstein, que aconteceu final do mês passado.

Houve várias aulas extremamente proveitosas e algumas atualizações sobre os estudos que estão para ser publicados este ano e outros em andamento que estão questionando todos os trials positivos do início dos anos 2000.

A primeira notícia que, confesso, muito me incomodou, foi a primeira análise do PROGRESS que mostra que o risco de morrer de sepse grave e choque séptico no Brasil é aproximadamente 2x maior que no resto do mundo - atinge cerca de 60% para o choque séptico. Parece que estamos atrás de muitos outros países em desenvolvimento - na Argentina a mortalidade fica em torno de 30%.

Ainda não foi comparado o desfecho em relação a hospitais públicos x privados, tempo de internação em CTI, gravidade do paciente e diversos outros fatores mas apenas esse dado - que o fato do paciente séptico ter uma chance de morrer 2x maior apenas por morar no Brasil- certamente assusta e provoca uma série de questionamentos em todos nós que lidamos diariamente com a assistência ao paciente grave. Por que a mortalidade no Brasil é aumentada? Faz parte apenas da nossa constituição genética? Ou se deve também a questão do reconhecimento e tratamento precoces da sepse, do acesso a saúde, entre outros fatores? Essa questão já foi levantada anteriormente em outros posts.
A sepse é um grande problema de saúde pública, ainda pouco reconhecido e, aparentemente, tratado de forma inadequada no nosso país. Trata-se de um desafio que deve ser abordado por toda a equipe de saúde e por todas as especialidades médicas, a fim de se tentar reduzir essas elevadas taxas de mortalidades que ainda fazem parte da experiência do nosso país.
Cássia Righy