domingo, junho 01, 2008

Uso de Probióticos e Prevenção de infecções por Pseudomonas

Forrestier C, et al.
Critical Care 2008; 12: R69.
Infecções adquiridas na terapia intensiva, principalmente pneumonia associada a ventilação mecânica (PAVM), são um problema importante podendo levar a um aumento da morbi-mortalidade dos pacientes graves. Concomitantemente, o crescente uso de antibióticos tem levado a emergência de cepas bacterianas multirresistentes, o que é um fator complicador no manejo dos pacientes criticamente enfermos. Vários métodos alternativos para a prevenção de infecções nososcomiais tem sido avaliados nos últimos anos, tais como descontaminação seletiva do trato gastrintestinal e o uso de probióticos.
Os probióticos apresentam vários efeitos benéficos que podem ser interessantes para a prevenção de infecções nosocomiais - substituição da microbiota patogênica por comensal e efeitos reguladores tanto da imunidade inata quanto da adquirida. Vários estudos já foram publicados sobre o efeito dos probióticos em pacientes graves, com resultados conflitantes. Os melhores resultados foram observados em pacientes cirúrgicos: transplante hepático, pós-operatório de grandes cirurgias. Entretanto, o entusiasmo pelo uso de probióticos arrefeceu no começo deste ano com a publicação do estudo holandês que mostrou aumento da mortalidade em pacientes portadores de pancreatite aguda grave que fizeram uso de probióticos por via enteral.
Este estudo publicado por um grupo francês mostrou que o uso de probióticos (Lactobacillus rhamnosus) postergou a colonização do trato respiratório por Pseudomonas aeruginosa e levou a uma diminuição não-significativa da incidência de PAVM.
Em resumo, apesar desse estudo mostrar melhora do perfil de colonização bacteriana em pacientes graves que fizeram uso de probióticos, ainda é incerto se esse efeito pode ser traduzido em benefícios clínicos. Dessa forma, mais estudos são necessários para definir o papel dos probióticos na profilaxia e tratamento de infecções nosocomiais em pacientes criticamente enfermos.
Cássia Righy