25 outubro 2010

BLS/ACLS 2010 - o que mudou ?

2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care Science

Circulation 2010; 122(18): suplemento 3 (2 de novembro de 2010)

Saiu o novo guideline para ressuscitação cardiorrespiratória. Como programado, novas recomendações saem agora em 2010 e parecem a evolução do que já estava parcialmente programado em 2005.

No âmbito da estrutura das recomendações, tudo está muito parecido, mas o capítulo 9 - "Post-Cardiac Arrest Care" é novidade e introduz um novo algoritmo para ser incorporado nos diversos serviços, de emergência ou UTI. Ele inclui cuidados neurológicos, como evitar hiperventilação, fazer reposição volêmica com salina, controlar CO2 com capnografia e induzir hipotermia, principalmente se o paciente permanece irresponsivo após a ressuscitação. Esta última intervenção é muito reforçada durante o texto e parece que chegou para ficar, embora não seja fácil de induzir em muitos pacientes. Aliás, recomenda-se protocolo específico para hipotermia, porque induzir é difícil, mas reverter após 24 a 48 horas é perigoso por arritmias cardíacas, shivering e distúrbios eletrolíticos. O uso de aminas vasoativas e o manuseio de disfunções orgânicas específicas também são comentados neste capítulo e cobrem uma deficiência de outros guidelines anteriores.

As alterações pontuais mais importantes foram as seguintes:

- O A-B-C (airway, breathing, circulation) passou a ser C-A-B, com mais importância para compressão torácica precoce. Isto é tanto para o BLS, tanto para ACLS.

- A manobra "olhar, ouvir e sentir", no momento da abrir vias aéreas, foi retirado do BLS, porque tomava muito tempo e é complexo para os leigos.

- A compressão torácica deve seguir um ritmo maior que 100 por minuto, ao passo que até 2005 era em torno de 100; quanto mais rápido, maior a chance de retorno a circulação espôntanea.

- Se o socorrista não tiver treinamento para BLS, recomenda-se apenas compressão torácica, já que não será possível ensinar rapidamente como ventilar.

- Não se recomenda mais a pressão na cartilagem cricoide (manobra de Sellick), porque ela atrasa a via aérea definitiva (intubação), embora possa reduzir o volume de material aspirado para os pulmões.

- Recomendação do uso de capnometria/capnografia para evitar hiper ou hipoventilação.

- Maior ênfase nas compressões torácicas, desfibrilação precoce e boa ventilação; drogas, intubação traqueal e métodos alternativos de reanimação são menos importantes.

- Não usar mais atropina no algoritmo de assistolia e atividade elétrica sem pulso.

- Deve-se esperar 72 horas para traçar melhor o prognóstico dos pacientes após PCR, com exame clínico, laboratoriais (biomarcadores) e de imagem (potencial evocado, doppler transcraniano, TC, etc).

André Japiassú

14 comentários:

  1. A Vasopressina continua no Guideline 2011? Grato.

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  2. Caro colega

    Sim, a vasopressina se mantém no algoritmo, em assistolia e FV, mas com muito menos ênfase que em 2005 - classe IIB. Não há diferença em relação a adrenalina, e é mais cara. A única vantagem é a meia-vida maior (~ 20 min).

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  3. EM NENHUM MOMENTO O GUIDELINE CONTRA-INDICA O USO DE ATROPINA, O QUE INFORMA E QUE NAO HA EVIDENCIA PARA O SEU USO.

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  4. Você tem razão. Mas como não há evidência para fazer atropina, a tendência é abandoná-la. Obrigado pela observação.

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  5. A lidocaína ainda está presente como antiarritmico de alternativa após uso da amiodarona?

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  6. É 2a opção - a escolha deve ser a amiodarona. Obrigado pela atenção.

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  7. Alexandre Benedito Neves Rodriguesquarta-feira, dezembro 08, 2010

    Fiz o ACLS em 2002...quanta mudança!!!

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  8. após a atropina na bradicardia, a escolha deve ser epinefrina ou dopa antes do marcapasso transcutaneo, ja q teriam os dois a igual eficácia? obrigada

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  9. Mudou alguma coisa para o protocolo de hipotermia pós PCR.
    obrigada

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  10. Promover hipotermia terapeutica mantendo 32-34ºC por 24-48h, com intuito de manter a integridade neurológica. Utilizar soluções vesosa resfriada ou compressa frias, ou bolsas de gelo com controle rigoroso da temperatura!

    Att

    Elton

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    1. De acordo com ultimo trial da New England, a hipotermia deve cair e passar a ser opcional (classe 2b)

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  11. Atropina não é mais utilizada como droga na reanimação?

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  12. Atropina não é mais utilizada como droga na reanimação?

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    Respostas
    1. Praticamente não. A atropina fica somente para bradicardias, com ritmo acima de 30/min.

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